
Ainda os grandes portugueses
No correio da manhã de
hoje, pode ler-se que segundo a opinião de Pedro Dias, professor da Universidade de Coimbra e ex-director da Torre do Tombo, que Álvaro Cunhal não devia constar na lista dos grandes portugueses. Este senhor vai mais longe e afirma o seguinte:
“Ainda se fosse na dos grandes soviéticos”;
“Ele era um agente estrangeiro ao serviço de uma potência estrangeira para transformar Portugal numa colónia.”;
“o PCP mantém ainda um número de filiados com grande militância”;
“Não concordo minimamente com a escolha de Álvaro Cunhal”;
Por último, lamenta que o Padre António Viera tenha ficado tão mal colocado.
Já José Vicente Serrão, director do departamento de História do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e Empresas acha que numa lista de 10 grandes portugueses Álvaro Cunhal era dispensável e trocava-o por Mário Soares.
Para Villaverde Cabral, do Instituto de Ciências Sociais, é muito interessante que os únicos heróis do século XX, além de Pessoa, sejam Salazar e Cunhal, ou seja, o bem e o mal, nesta ordem ou na inversa, de acordo com as tendências.
Na minha opinião, que é tão ou mais fundamentada do que a destes iluminados, Pedro Dias consegue saber numa votação secreta que a maioria dos votantes em Álvaro Cunhal são do partido comunista e seguem a militância, nem sequer coloca a hipótese de haver muitas pessoas, que não sendo do PCP admiram Álvaro Cunhal e por isso se percebe a sua não concordância com Álvaro Cunhal. Eu também não concordo que ele tivesse sido escolhido para professor da Universidade de Coimbra e ...
José Vicente Serrão, homem da História ou Estórias, depende do gosto, trocava Álvaro Cunhal por Mário Soares e fazia a troca depois da votação, ou seja a votação tinha o resultado que o Sr. Professor queria. Democrático e ilustrativo do seu percurso enquanto homem das estórias.
Já Villaverde Cabral parte do estudo sociológico para chegar à brilhante conclusão que para uns Salazar simboliza o bem e que para outros Álvaro Cunhal simboliza o mal e portanto são duas faces da mesma moeda. Conseguiu isto apenas olhando para a lista dos 10 mais votados.
O que eu não percebo é a tentativa de manchar o nome de Álvaro Cunhal. Cunhal até podia ter ficado em 100º que isso não apagaria o que fez por Portugal e pelos portugueses. Isto é apenas um jogo, mas um jogo cujo o resultado até agora deixou a boca amarga de uns quantos.