Ao ler o Plano da Moita deparei-me com esta preciosidade, passo a citar:
Haverá algum estudo relacionado com as alterações climáticas previstas, o aumento do nível do mar—e consequentemente do rio—e o PDM da Moita?
Não me parece! Até em zonas de escoamento natural de águas estão a construir rotundas e a encanar as águas pluviais.
Claro que o nosso amigo Cavaco nos vai indicar toneladas de factos que demonstram que construir prédios em zonas de potencial cheia e impermeabilizar as zonas de máximas infiltração aquífera do concelho não terão nenhum impacto já que o rio vai ficar tal qual está para todo o sempre.
Ao que eu pergunto ao nosso amigo:
1) Para além do óbvio que escreveu que se prende com a construção de prédios em zonas de potencial cheia, consegue provar que o nível da água do rio está a subir?
2) Acha que o nível da água do rio não está relacionado com a monstruosidade do número de barragens que se construiram no Tejo e que hoje provocam erosão costeira ao impedir o fornecimento de sedimentos que alimentariam as praias?
3) Quais são as alterações climáticas previstas? Por exemplo, quando estava de férias em Vila Real de Santo António o Bloco de Esquerda organizou um passeio de barco no Guadiana para se debater assuntos do ordenamento da bacia daquele rio e o aquecimento global. No fim da jornada estava previsto um comício-festa que acabou por ser um fracasso porque estava muito frio, em pleno mês de Julho. Quem ouviu Antimio de Azevedo, reputado meteorologista, na televisão percebeu que o homem acredita que a Terra vai sofrer um arrefecimento por efeitos astronómicos. Em que ficamos? Aquecimento, arrefecimento? Temos de estar atentos e não andar a bater palmas a quem quer fazer do ambiente um negócio, como alguns têm feito.
3) Se toma atenção ao que escrevo sabe que no próprio banheirense eu já escrevi sobre evolução paleogeográfica da Bacia do Tejo-Sado e aí está bem demonstrado o quanto os organismos fluviais são dinâmicos?
Sabe o que faz falta? É uma política nacional séria de recursos hídricos. Com cartas de risco de cheia elaboradas a partir de metodologia correcta para todo o país. Essas cartas deveriam depois ser incorporadas nos planos. Isto não foi feito porque não aceitaram as propostas do PCP, tal como as Zonas de Intervenção Florestal agora criadas e que têm dado alguns resultados mas que foram propostas pelo PCP em 1982. Se fossem aprovadas naquela data quantos fogos não tinham sido evitados?
Não podemos criticar por criticar. Por alguns nada se fazia no Concelho da Moita, a esta hora estavamos na caverna, mas sem fazer fogo, por causa do dióxido de carbono, não vá causar aquecimento global e estragar mais um comício-festa ao Louçã.