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2008-09-20

O jornalismo nacional, e não me refiro ao apenas aos jornalistas ou às suas direcções mais ou menos submissas, mas sim a um sistema que permite concentrações de poderes perniciosas, está podre. O DN afunda-se a cada número, mas é sobre o exemplo do Público que o Nuno Ramos de Almeida escreve.

Sobre o jornalismo, e sobre o modo como se escreve em Portugal, deixei este comentário num blog de um director desportivo de uma TV qualquer:

Eu poderia dizer que a Bola não é o Record, mas que o Record se parece com o Correio da Manha e este com o (cada vez pior) DN; que a Tsf já foi uma rádio com informação, opinião(ões) e música, que o Público parece que é mas não é, que o Primeiro de Janeiro já foi, que o JN parece que tenta ser, que o Jogo mereceria melhor prosa (mas quem sou eu para falar nisso se até agora um parágrafo não acabei, e pontos finais nem vê-los); que na TVI o morangos estão azedos, na SIC não se vendem presidentes nem se ressuscitam hermanias e que na RTP ninguém sabe mais que um miúdo de 10 anos...

2007-03-28


Li hoje com estranheza um artigo de opinião de Alberto Gonçalves no Correio da Manhã.

O Sr. refere que democraticamente e num estado de direito só é considerado culpado quem é julgado e setenciado nos tribunais, mas depois escreve toda uma série de disparates visando o Bloco de Esquerda. Terminando assim:
"Liderando um só município (Salvaterra de Magos), o Bloco de Esquerda tem três autarcas arguidos. Já se sabe que não há culpados até trânsito em julgado. Mas também não há razões para conceder ao BE o benefício da dúvida que o BE não concede aos outros.Assim, pelo menos no que toca às autarquias, o BE é de longe o partido mais corrupto do País, quiçá do Ocidente. Pense nisso sempre que ouvir os sermões paternalistas dos seus deputados nacionais. E lembre-se do tempo em que a exuberante rectidão do BE não dispunha de uma realidade que a pudesse negar. Depois enxugue as lágrimas e seja compreensivo. O BE é apenas um daqueles partidos cuja genuína pureza diminui em função da proximidade ao poder. Tentemos todos, em eleições futuras, devolvê-lo ao rumo do aperfeiçoamento espiritual"

Julga-se portanto, à semelhança de tantos outros acima das instituições. Este tipo de atitudes por parte de alguns jornalistas servem e vão continuar a servir para descredibilizar a política e os agentes políticos e servem ao mesmo tempo para desresponsabilizar todos, à excepção dos políticos (os maus da fita do costume), de todos os seus actos.

Condenável, apesar de não concordar com algumas posições populistas e demagógicas de alguns políticos do Bloco, como Sá Fernandes e Francisco Louçã também não concordo com muitos outros de quadrantes políticos diferentes e não posso deixar de ficar indignado com este ataque, porque o BE não é composto por 2 pessoas mas sim por muitas pessoas interessadas e correctas, ao contrário deste Sr. Jornalista.

2007-02-08

Joaquim Furtado
em 16/11/2004"P.S. De Post Scriptum", copyright Público, 14/11/04

"Os leitores mais atentos repararam – embora nenhum deles se tenha pronunciado – em duas pequenas notas, publicadas em páginas diferentes do Público do passado dia 9. Com posições opostas sobre o mesmo assunto, surgiram ambas no final de textos, assinados por dois jornalistas, um dos quais o director: no espaço do editorial (dedicado a outro tema) José Manuel Fernandes escreveu em ‘post scriptum’ : ‘Pedro Silva Pereira respondeu ontem no Público a uma notícia da nossa edição de sábado. A matéria de facto que evoca é susceptível de contestação, tema que desenvolvemos na edição de hoje. Num ponto, porém, o antigo secretário de Estado tem razão: devia ter sido ouvido e devia ter tido oportunidade de expôr os seus argumentos quando a notícia inicial foi escrita, como mandam as regras internas do jornal’. Mais à frente, na página 14, o jornalista José António Cerejo (autor da notícia) assina outro texto de carácter informativo e um artigo de opinião. No final deste, escreve também em P.S.: ‘Não tinha nada que ouvir Silva Pereira, porque transcrevi o essencial da lamentável posição por ele assumida em todo o processo’.

O contexto: no sábado, dia 6, o Público destacava uma notícia através da manchete ‘Governo manda investigar obra viabilizada por porta-voz do PS’ e, em subtítulo, ‘hotel em dunas algarvias a que está ligada a família de Almeida Santos teve luz verde do então governante Pedro Silva Pereira’. Dois dias depois, o jornal publicava, ao abrigo do direito de resposta, um texto em 14 pontos, onde Silva Pereira considerava ‘falsa e difamatória’ a notícia assinada por José António Cerejo: ‘esta notícia constitui um exercício repugnante de mau jornalismo: distorce ou omite factos manifestamente relevantes e foi publicada sem que previamente fosse ouvido o visado e sem que quaisquer diligências tenham sido feitas nesse sentido, violando assim, grosseiramente, as mais elementares regras legais e deontológicas’.

É na sequência deste texto (‘Porta-voz do PS responde ao Público’) que, no dia seguinte, surgem nas páginas do jornal, os dois P.S.contraditórios.

Centremos neles a atenção, procurando responder a dúvidas e tentar ver, para lá delas, o que se passou. Ouvir ou não o ‘visado’, duas regras para o mesmo jornal ? democracia interna ? gosto pelo debate ? conflito ? descoordenação ? casos próprios daquilo a que os teóricos chamam ‘rotinas profissionais’ do jornalismo?

Sobre o aspecto central da divergência, o código deontológico dos jornalistas é claro: ‘os factos devem ser comprovados, ouvindo as partes com interesses atendíveis no caso’. E e o Livro de Estilo do Público também:’ qualquer informação desfavorável a uma pessoa ou entidade obriga a que se oiça sempre o `outro lado´ em pé de igualdade’.

Será que o caso em apreço é diferente ? A pedido do provedor, José António Cerejo explica:’Na verdade as contingências da produção de um diário, com decisões editoriais que muitas vezes têm de ser tomadas em cima da hora, com a rotativa à espera para começar a imprimir o jornal, acabaram por levar a que PSP [Pedro Silva Pereira] tivesse um lugar central, o lugar principal, indiscutivelmente, na primeira página do jornal e no seu interior, no que respeita à fotografia e respectiva legenda.

Sucede que a opção do director de fecho, que eu subscrevi quando foi tomada, à beira do fecho da edição, de privilegiar o papel que objectivamente PSP teve no caso(...) trouxe PSP para um lugar que, admito-o, justificava que eu lhe telefonasse.

Só que, na prática, à hora do fecho do jornal, essa hipótese era completamente inviável, embora, pessoalmente, eu ainda a tivesse equacionado’.

Acrescentando que, embora não sabendo ‘muito bem o que lhe perguntaria’, já que a sua posição ‘estava claramente sintetizada (...) no seu despacho de há quatro anos’, José António Cerejo afirma : ‘por uma mera questão de princípio, julgo que, em condições distintas das que descrevi, teria contactado PSP. Embora pense que, se não o fizesse, isso também não corresponderia a ‘um exercício repugnante de mau jornalismo’.

Não ouvido a propósito da primeira notícia, também a peça do dia seguinte – surgida como réplica ao direito de resposta – não contempla a posição de PSP. Aqui há, no entanto, uma razão de outra natureza, explicada pelo sub-director Eduardo Dâmaso:’Silva Pereira recusou-se a ser ouvido por José António Cerejo e a direcção entendeu não dever destacar outro jornalista para o efeito’.

Além do texto noticioso, José António Cerejo publicava, na mesma página, um comentário onde respondia à principal acusação que lhe era feita, centrada na expressão ‘exercício repugnante de mau jornalismo’. Um texto ‘em defesa da honra’ – como explica ao provedor – e que termina com o já citado ‘post scriptum’: ‘O meu PS pretendeu apenas assinalar que eu não aceitava aquela acusação, sem entrar em detalhes por falta de espaço e tempo, mas também porque essa era uma questão lateral, que PSP pretendeu sobrevalorizar para me atacar. Mesmo assim, entendi reagir. Terei reagido da melhor forma? Provavelmente não. Mas reagi da forma possível, face à ofensa que me foi dirigida e à impossibilidade de me explicar mais detalhadamente’.

Apesar deste reconhecimento, o jornalista explica que escreveu não ter ‘nada que ouvir Silva Pereira’ porque lhe dedicava ‘ao todo (...), além da entrada do texto, a seguir ao subtítulo, e da sua repetição no segundo parágrafo do artigo, as 16 linhas que constituem o penúltimo parágrafo’ e que aí transcrevia ‘a única posição expressa que PSP emitiu em todo o processo arquivado no Ministério do Ambiente e que sintetiza o seu entendimento sobre a matéria’.
Como vimos, na mesma edição em que o jornalista afirmava não ter que ouvir PSP, o director afirmava o contrário. José António Cerejo nega que o seu texto seja uma resposta ao de José Manuel Fernandes. E, atribuindo o que aconteceu a falta de diálogo do director, explica que quando escreveu o seu P.S, ‘ignorava totalmente que o director do Público tivesse escrito (ou viesse ainda a escrever nessa noite ?) o que escreveu (no PS dele)’.

José Manuel Fernandes afirma que já era já muito tarde quando se apercebeu de que o texto do jornalista mantinha o PS que figurava numa primeira versão.Na impossibilidade de contactar José António Cerejo, preferiu mantê-lo: ‘poderia ter mandado cortar, mas tratando-se de um texto de opinião não o faria sem falar com o autor. Ou retirava todo o texto, ou o mantinha integralmente. Preferi que fosse publicado. Mas para que não pudesse aparecer como a posição oficial do jornal, mantive também o meu, deixando para os dias seguintes a análise da questão’ [que já foi apreciada em reunião de editores e vai sê-lo em Conselho de Redacção].
Temos então dois aspectos: O surgimento de dois textos e o facto de eles defenderem pontos de vista opostos. Embora possam ajudar a compreender o que se passou, as justificações de José António Cerejo – para não ouvir PSP e para escrever que não tinha ‘nada que ouvir’ – são insuficientes. Se o princípio não se aplica em situações que envolvem valores como o bom nome, então quando se aplica? José António Cerejo teve, por isso, razão quando equacionou a necessidade de contactar Silva Pereira, mas não quando desistiu de o fazer.
A ‘lamentável posição por ele assumida’ não seria uma boa razão para ouvir PSP?
O relevo que ganha um assunto de primeira página não torna ‘mais obrigatório’ o cumprimento do princípio. E ainda que prevalecesse o argumento contrário, porque não desistir então da
capa ?

Por seu lado, ao escrever o seu ‘post scriptum’ – embora para reiterar o princípio correcto – o director do jornal escolheu uma via pouco ortodoxa que só um pronto esclarecimento nas páginas do próprio jornal evitaria que produzisse efeitos na imagem da vida interna da redacção. Permitindo, ao mesmo tempo, remeter o episódio para a matriz plural do Público. P.S. Neste caso foi invocado duas vezes o direito de resposta, um mecanismo consagrado na Constituição de que beneficiam ‘todas as pessoas singulares e colectivas’ que tenham ‘sido objecto de referências, ainda que indirectas, que possam afectar a sua reputação e boa fama’. O Livro de Estilo do Público estabelece que ‘o princípio do contraditório é uma regra de ouro – todas as partes envolvidas serão sempre ouvidas e confrontadas – mas, se subsistirem razões para o exercício do direito de resposta, o Público acolhê-lo-à livremente nas suas páginas’. E estabelece ainda que o jornal replicará ‘às versões ou comentários abrangidos pelo direito de resposta, só quando estiver em causa a verdade dos factos ou acusações de boa-fé do jornalista’."

Fonte: http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=303VOZ008
Não tenho nada contra o jornalista José António Cerejo. Apenas publico aqui no banheirense alguns reparos que lhe foram feitos por outros. Sendo José António Cerejo um jornalista de investigação é normal que os seus trabalhos suscitem dúvidas, penso até que é para isso que ele os faz, pelo que a (re)publicação de textos do provedor ou outros que o critiquem são normais em democracia, como o é a minha opinião que não ataca e nem ofende ninguém. Sou um cidadão e como tal tenho o direito a opiniar.
Por último e para termos muita atenção, porque os homens falham e as suas falhas prejudicam outros homens e pelos vistos, muitos não aprendem.

Informar Ou Insinuar?
Por JOAQUIM FIDALGO
Domingo, 24 de Setembro de 2000

Afirmava o PÚBLICO há dias (16/9), num desenvolvido trabalho a propósito da venda de um quartel de Lisboa à cooperativa de ensino Universitas, que o "Estado perdoou juros ao Opus Dei". Nas páginas interiores, em antetítulo, especificava que o alegado tratamento de favor beneficiara uma "cooperativa do Opus Dei". Mais adiante, já no corpo do texto, introduzia nova cambiante para dizer que esta situação envolvia "uma cooperativa de ensino superior ligada ao Opus Dei". E era tudo, no que toca a referências a esta prelatura da Igreja Católica. Em que ficamos? O alegado "perdão fiscal" favoreceu a instituição OpusDei?... Ou uma escola de sua propriedade - mas, em si, entidadeautónoma?... Ou uma escola nem sequer dependente formalmente daprelatura, embora a ela de algum modo "ligada"?... Convenhamos que são situações diversas, com diversa ressonância pública. Esta ambiguidade causou estranheza ao leitor Vítor Costa Lima, do Porto,que, em carta ao provedor, argumentou de modo claro: "Chamou-me aatenção a expressão 'ligada ao Opus Dei'. Tal expressão é habitual emnotícias de vário tipo mas sempre me pareceu uma forma equívoca, que nãoinforma. (...) Dizer que A está ligado a B não informa nada e insinua tudo.Seria necessário indicar o tipo de ligação existente para que a expressãotivesse conteúdo informativo". Já pouco satisfeito com esta formulação, o leitor considera ainda "mais grave" a síntese escolhida para título de primeira página ("Estado perdoou juros ao Opus Dei"), comentando: "Aqui estamos já noutro campo, o campo de afirmação sem fundamento real. O Opus Dei é uma instituição da Igreja Católica, reconhecida pelo Estado português, à luz da Concordata. A Universitas é uma cooperativa de ensino, aparentemente aprovada pelo Ministério da Educação. A notícia não estabelece nenhuma relação entre as duas instituições, a não ser a ambígua expressão 'ligada' que, como vimos, não diz nada. Portanto, é completamente abusivo transformar qualquer diferendo entre a Universitas e o Estado português num diferendo entre o Opus Dei e o Estado português." O jornalista José António Cerejo, autor do trabalho em questão, é o primeiro a dar razão a estas críticas: "Reconheço o erro. Ao leitor era devida mais alguma coisa do que a minha palavra profissional. Embora seja para mim evidente que, se eu escrevo que a Universitas é 'uma cooperativa de ensino superior ligada ao Opus Dei', é porque tenho essa informação como certa, reconheço que os leitores têm o direito de saber o que me leva a dizê-lo". Dois aspectos refere o jornalista para explicar, que não desculpar, a sua opção de não desenvolver o tema das "ligações": por um lado, o facto de a pertença ao Opus Dei não ter, junto da opinião pública, uma conotação "reprovável ou criticável" e, portanto, não parecer ofensivo referir alguém como estando "ligado" à prelatura; por outro lado, a circunstância de osemanário "Expresso" ter, há meses, "abordado desenvolvidamente asligações entre a Universitas e o Opus Dei", com base no pressuposto de que diversos sócios da cooperativa seriam conhecidos membros da "Obra". Sobre este segundo ponto, todavia, é o próprio José António Cerejo aadmitir que "não basta o "Expresso" escrever duas vezes sobre o assuntopara que ele passe a ser do conhecimento dos leitores do PÚBLICO". Finalmente, Cerejo admite também que a formulação demasiado redutora do título de primeira página "corresponde a um género de simplificação habitual na imprensa diária, embora eventualmente perversa", que leva a que se tome o todo pela parte e se transforme uma cooperativa "ligada ao Opus Dei" no próprio Opus Dei. Acresce que, em esclarecimento entretanto enviado à Direcção do PÚBLICO e de que o provedor recebeu cópia, o próprio Gabinete deInformação do Opus Dei nega qualquer tipo de ligação com a Universitas, o que tornaria ainda mais imperiosa a necessidade de justificar as afirmações feitas no artigo. Não parece haver muito mais a dizer sobre o caso, tão clara e incontornável é a argumentação do nosso leitor - que, obviamente, tem razão -, como tão frontal é a assunção das culpas por parte do jornalista. Há, ainda assim, três pontos sobre que podemos reflectir: 1) Todo o artigo em análise gira à volta do Governo português (por via dediversos ministérios) e da cooperativa de ensino Universitas. Há umareferência inicial à tal suposta "ligação" ao Opus Dei, mas depois nunca mais se fala da "Obra". Ou seja, ela não parece minimamente relevante para a substância da notícia. Mas é evidente que, ao referi-la (na primeira página...), o jornal dá uma maior projecção pública e até algum "picante" lateral ao trabalho - coisa que, depois, não cuida de justificar. Se se achavaj ornalisticamente útil ou interessante citar o Opus Dei neste caso, é óbvio que a citação teria de ser respaldada no texto. Assim, aparece como uma referência gratuita, que cria expectativas mas logo as defrauda. Invoca-se onome do Opus Dei em vão; 2) Os jornalistas, por força do seu ofício, lêem muitos jornais, pois precisamde estar ao corrente do que vai sendo noticiado. Mas esquecem-se, por vezes, de que a generalidade dos leitores só lê regularmente um jornal ou,quando muito, um diário e um semanário. Significa isto que os jornalistas sabem de muitas notícias, lidas nas mais diversas publicações, que os leitores do "seu" jornal não conhecem. Portanto, ao escreverem, não podem partir do princípio de que são do domínio público matérias que, em boa verdade, só circularam no restrito meio profissional ou pouco mais. Além disso, o facto de determinado assunto ter sido tratado por um jornal não o transforma automaticamente em verdade inquestionável. Como bem sabemos, os jornais, mesmo os mais credíveis, enganam-se e cometem erros. Utilizá-los como fonte de informação implica, assim, ter cuidados semelhantes àqueles com que se trata qualquer informação recolhida através de fontes: identificar a origem, confirmar os dados, contrastar os elementos recolhidos junto de outras entidades. E o que se diz de jornais diz-se, naturalmente, de rádios ou televisões; 3) O caso aqui apreciado tem um lado bastante perverso: estamos todos adiscutir (e compreensivelmente, pelo que se viu atrás) a questão do OpusDei, mais das suas hipotéticas ligações à Universitas, e quase nos esquecemos do fundo do trabalho jornalístico, que é um suposto "perdão dejuros" a uma escola por parte do Estado. O próprio autor, José António Cerejo, o diz: "Observo que esta polémica é lateral ao essencial da notícia e que nem os ministérios da Defesa e das Finanças, nem a Universitas,puseram, até agora, em causa o que escrevi". Tem o jornalista toda a razão na sua observação. Mas concordará que foi também ele quem, indirectamente, acabou por contribuir para este perverso desvio das atenções do público. E não havia necessidade: ou deixava simplesmente de lado a história do Opus Dei (e já ninguém lhe pegaria por isso...) ou, como ele mesmo admite, justificava minimamente em que se baseava para estabelecer a dita relação. Assim, e logo puxando para título de primeira página essa questão lateral... Resta esperar que, esclarecida consensualmente a polémica acessória, as atenções dos leitores - e de quem de direito - se concentrem na essência doartigo publicado.


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