Politiquices da tretaAbrimos os jornais e o que vemos? As concelhias do PS um pouco por toda a parte a anunciarem a hecatombe do Partido Comunista Português no Poder Local na nossa Península de Setúbal. É sempre a mesma cassete. Mais de trinta de anos no poder, afirmam os senhores, sublinhando que a “queda” se aproxima. Ideias nada, serviço às populações da Península pouco ou nenhum. Este remédio nunca lhes curou as feridas e nas últimas eleições autárquicas até lhes provocou uma grave infecção.
A argumentação destrutiva transforma-se em construtiva quando se trata de defender as políticas de governo, seja na saúde, seja na localização de infra-estruturas como é o caso do aeroporto da OTA. Políticas essas que tanto têm de justo como de justificável. Apontam o caminho da meia dúzia ou seja, o caminho da penalização das populações e trabalhadores. Como é que estes “socialistas” (salvo melhor termo) conseguem defender o indefensável.
Quantas vezes ouvimos essas vozes a questionarem a falta de investimento público na nossa Península? A resposta a esta pergunta faz-me rir, mas é mesmo assim. Sempre que o governo é PSD ainda que estes promovam mais investimento público na Península que o PS. A isto eu chamo falta de vergonha na cara e estes “socialistas” já usam esta forma de agir há muito tempo. Fruta da época.
No mês de Abril é estranho que não se analise o percurso da Democracia em Portugal. Esta Democracia que os sucessivos governos “chutam” para canto e que o nosso Presidente da República considera dia sim, dia não, dependendo da sua agenda.
No mês de Abril é estranho que não se analise as mudanças na Península de Setúbal nas últimas décadas. Foi nesta “nossa” terra que :
1) a primeira Associação de Municípios a nível Distrital foi criada;
2) o primeiro Plano Integrado de Desenvolvimento Distrital foi elaborado;
3) o primeiro Plano Interconcelhio de Circulação foi produzido;
4) todos os concelhos elaboraram Planos Directores Municipais e o nosso Município, a Moita, foi o primeiro, a nível nacional, a concluir este importante instrumento de Ordenamento do Território a par de Évora;
5) uma visão coerente e integrada dos actores regionais, com vista o desenvolvimento, produziu o Plano Estratégico para o Desenvolvimento da Península de Setúbal;
Estas iniciativas pioneiras deram frutos. A Península de Setúbal é hoje a 3ª região do país mais desenvolvida, mas as politiquices da treta ajudam a criar uma imagem menos positiva da região. Estes discursos demagógicos e populistas esbarram nas estatísticas e na vontade popular e é por isso que nos tais 30 anos, se construiu o que hoje temos e que até é reconhecido a nível internacional em vários aspectos, como por exemplo a nível tecnológico. Em Maio, na «Conference on Bridging the Broadband Gap: Benefits of broadband for rural areas and less developed regions», o Projecto Setúbal Peninsula Digital vai ser reconhecido como um exemplo a nível europeu.
De Abril para cá, nos últimos 33 anos, muito se fez, ainda que muitos “socialistas” enfiassem o espirito da liberdade, solidariedade e fraternidade na gaveta.
De Abril para cá, nos últimos 33 anos, ainda não se resolveram todos os problemas, mas não é com conversa da treta que lá vamos é com trabalho, honestidade e competência.
Nuno Cavaco
Membro da DORS
do Partido Comunista Português