2008-10-01

Dia do [Sistema] idoso.
Numa altura em que vivemos uma crise de "valores", dificilmente pensamos naqueles que foram os jovens trabalhadores e sonhadores de outros tempos. Outrora, entre nós, a sua maioria vivia para subsistência cujo o sonho estava condicionado à dimensão de um prato. Eram tempos dos Padres, Professores, Doutores e Engenheiros e …do povinho. Nessa altura não havia o problema do idoso, pois na sua esmagadora maioria, morriam cedo devido não só aos "males" de saúde derivados de doenças mortais hoje tratáveis, de anos de trabalho de Sol a Sol, e também de uma atitude não-preventiva, resultado da mentalidade que então havia, trabalhar até cair, como se essa atitude os liberta-se da miséria que os ameaçava constantemente. E deveria… não fosse do outro lado social, estar alguém para quem estes não eram mais do que engrenagens da sua fortuna. Se hoje existem os recibos verdes, nessa altura eram pagos em pratos de sopa e "esmolas". Férias? era o trabalho dos ricos, que consistia em "torrar"  as suas fortunas em casinos e ballet roses. 
Por isso, é de perceber porque muitos anos de trabalho desses jovens de outros tempos, não são hoje contabilizados. Foi assim para muita gente até ao 25 de Abril de 1974. Nesses tempos antecedentes à revolução, os que intentavam em sonhar fora do prato, eram perseguidos pelos bufos cobardes, que eram recrutados entre a classe explorada a troco de uma sobremesa de restos, pensando que dessa forma, inverter a sua própria condição social, não percebendo que também eles eram peças da engrenagem corrupta das classes.
Hoje, temos 34 anos de Liberdade mas, talvez ela também esteja a ficar precocemente idosa. As engrenagens de outrora tentam corromper tudo aquilo que ela nos trouxe. Com a bandeira da globalização tentam inverter o fluxo do lucro que Abril nos trouxe. Os Bufos cobardes, já não são recrutados entre o povinho, mas entre aqueles que ele elege como seus representantes, a quem aliciam com uma "baba de camelo" em forma de um ordenado num cargo numa das empresas ex-públicas. Através de frases feitas, refazem discursos hipócritas jogando com aqueles que não têm "valores" e com aqueles que os têm, pretendendo refazer a engrenagem corrupta de classes. Lavam as mãos com o sabonete da competência, com intuito de tornar a apertar as mãos a quem lhes confiou o futuro não vendo que são eles que fedem a idoso, a velho, a podre Sistema.

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