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2008-11-04

História muito breve das nacionalizações em Portugal.

1975 - A banca ao serviço do povo.
2008 - O povo ao serviço da banca.

visto em JoaoLuc

2008-09-20

O jornalismo nacional, e não me refiro ao apenas aos jornalistas ou às suas direcções mais ou menos submissas, mas sim a um sistema que permite concentrações de poderes perniciosas, está podre. O DN afunda-se a cada número, mas é sobre o exemplo do Público que o Nuno Ramos de Almeida escreve.

Sobre o jornalismo, e sobre o modo como se escreve em Portugal, deixei este comentário num blog de um director desportivo de uma TV qualquer:

Eu poderia dizer que a Bola não é o Record, mas que o Record se parece com o Correio da Manha e este com o (cada vez pior) DN; que a Tsf já foi uma rádio com informação, opinião(ões) e música, que o Público parece que é mas não é, que o Primeiro de Janeiro já foi, que o JN parece que tenta ser, que o Jogo mereceria melhor prosa (mas quem sou eu para falar nisso se até agora um parágrafo não acabei, e pontos finais nem vê-los); que na TVI o morangos estão azedos, na SIC não se vendem presidentes nem se ressuscitam hermanias e que na RTP ninguém sabe mais que um miúdo de 10 anos...
Alzheimer diaries

2008-05-02

Desde que o Joaquim Oliveira lhe pegou, do que de melhor o DN tinha restam apenas uma ou outra crónica espaçada e o cartoon do Bandeira. Para os apreciadores também anda por aí uma bandeira ao vento.

2007-12-07



retirado do Abnoxio

2007-10-26

Sobre flexisegurança escreve-se assim no Boa Sociedade: É obviamente muito duvidoso que um modelo deste tipo possa ser importado por uma sociedade com características estruturais e históricas bem distintas do modelo dinamarquês. Vejamos alguns contrastes: a) na Dinamarca existe um sindicalismo ultra-forte, em que 80% da população activa está sindicalizada; b) a adesão ao sindicato não é uma escolha política, mas uma questão de bom senso (uma espécie de vocação natural); c) os sindicatos gerem as caixas de subsídios de desemprego, pagam as reformas antecipadas e negoceiam as condições laborais por sector; d) a diferença de rendimentos entre os mais elevados e os mais baixos é das menores da Europa (em Portugal é uma das maiores); e) o sucesso do modelo reside numa cultura de compromisso e consenso entre os actores sociais (ao passo que em Portugal vigora no mundo do trabalho uma cultura de autoritarismo, marcada por sentimentos de medo e laços de dependência).

(...)

Recorde-se, de resto, que o êxito da versão dinamarquesa da flexigurança é o resultado de um longo processo histórico assente numa série de compromissos entre parceiros sociais, na evolução do Estado-Providência e num desenvolvimento gradual de políticas activas para o mercado de trabalho. Em suma, não é a flexigurança que gera por si só o desenvolvimento, mas é sim o desenvolvimento que pode – ou não – exigir maior flexibilidade ou maior segurança. Por isso, mais do que a retórica governamental da flexigurança, o que a sociedade portuguesa exige é um programa de desenvolvimento sustentável para o país, onde os direitos sociais, o bem-estar dos cidadãos e o combate às desigualdades e injustiças na distribuição da riqueza passem do plano das promessas eleitorais para o plano da sua concretização.


via O Grande Zoo

2007-06-20

Será que hoje os blogues são os cafés que não há? tendo a concordar, especialmente com as últimas linhas. É pena

2007-05-31

Greve, digo eu..

Sim, é um direito, constitucionalmente consagrado. Muitas vezes, quase, uma obrigação. Sabe-se que não serve para nada. Sabe-se que serve para tudo. Já houve um tempo neste país em que fazer greve podia valer a prisão. Hoje, o "castigo" é simplesmente financeiro. Quando não abre a porta a um despedimento a prazo. Mas o medo permanece. O medo e a inércia cívica. Sabe-se que não serve para nada. Sabe-se que serve para tudo. Mas entre o nada e o tudo... a dignidade acontece. A dignidade de quem ousa dizer não, quando é preciso...


Diz-se no Abnoxio

2007-05-18

O ser que por vezes assina como “Mário da Silva” insiste em vários erros primários.

O Mário da Silva não lê o que escrevo. Prefere vomitar insultos pessoais e não só.

O Mário da Silva não percebe que o problema não está no anonimato, ou na ocultação da “verdadeira” identidade através de um pseudónimo. Os pseudónimos são, por exemplo, profusamente utilizados nas artes sem que daí advenha algum mal ao mundo. Nem a propósito, esta semana a Visão convidou 5 portugueses autores de BD para uma homenagem Hergé, de seu verdadeiro nome Georges Remy, autor de Tintin. Não estando na forma, o problema só pode estar no conteúdo, ou seja, modo como se utiliza essa falsa identidade. Mas deixemos o caso específico do Mário da Silva, não pela pessoa em si, que liberto do medo da sanção pública alivia um seu verdadeiro “eu”, mas porque este comportamento se insere numa certa maneira de estar comum na blogosfera, porventura sinal de um medo colectivo em assumir opiniões.

Mas quando ao abrigo da liberdade que esta capa oferece se insulta, se lançam ou difundem boatos difamatórios, etc, é porque não se está consciente do todo que se insere na palavra liberdade, e mais particularmente, quando este termo é associado ao conceito mais global de “democracia”.

A propósito do “anonimato” e do assumir das nossas posições, já imaginaram o absurdo que seria se os participantes na Conferência Nacional sobre a Política de Solos falassem de cara tapada e voz distorcida?

2007-03-28

O Luiz Carvalho do Instante Fatal refere-se em dois dos seus ultimos post’s à Baixa da Banheira, e se com o primeiro ainda hesitei em responder, o segundo convenceu-me. Interessou-me sobretudo o retrato feito por alguém que não conhece esta terra, mas que não deixou de notar algumas das suas características, infelizmente com a contextualização errada.

A Baixa da Banheira não é um subúrbio de Lisboa, mas sim do Barreiro, já que nasceu, não nos anos 60, mas a meio da década de 30, quando Alfredo da Silva resolveu ampliar as indústrias que por aqui já possuía. Por esses tempos, o lugar onde hoje se situa esta terra estava dominado por algumas quintas, que apesar da pobreza dos terrenos ainda iam dando alguns frutos. Quando o Município do Barreiro impediu que as gentes vindas de norte a sul, fugidas à fome procurando trabalho nas fábricas, construíssem casas sem o mínimo de condições, o baixo preço dos terrenos e o alheamento do vizinho Município da Moita empurram a construção para o extremo norte do concelho, na freguesia de Alhos Vedros, local o bastante próximo das fábricas para que o trajecto se possa fazer a pé, e que mais tarde viria a tomar o nome de Baixa da Banheira. Como vê, somos o subúrbio do subúrbio, e se fossemos franceses o mais certo seria encontrá-lo por aqui a fotografar carros a arder e brigadas policiais em choque. Mas não, não somos.

Em poucos anos foram assim construídas barracas do todo o género, sem cuidados de higiene, predominando os páteos em que os mais “abastados” empenhavam os seus bens construindo anexos no seu interior, que por sua vez, alugavam àqueles que pouco ou nada tinham. O ritmo foi tal que em 1960, o recenseamento geral da população elaborado pelo INE, contava já 12525 habitantes, mais do que algumas capitais de distrito. Agora imagine este ritmo de crescimento a par com a falta de estruturas: as primeiras aulas começaram em 1941 mas a primeira escola só foi construida nos anos 50, e o ensino preparatório chegou em 72 através de uma escola que se manteve provisória por mais de 20 anos. Bens que damos hoje por essenciais e adquiridos, como a electricidade e a água potável, chegaram, a primeira a meio da década de 50 e a segunda nos finais de 1961 (mais de 12 mil habitantes, lembra-se?), e só em 1964 se deu a instalação de um posto da GNR que ainda hoje existe, com meia dúzia de agentes. Em 1966 foram instalados os primeiros os esgotos, e o posto de saúde só chegou em 1977. Dado que a pobreza era por aqui uma constante, muitos foram os que depois de aqui chegar saltaram para França ou Alemanha. Esta terra deve muito a Salazar, ou talvez seja o contrário, às vezes baralho-me.

Alguns dos seus arruamentos têm nomes como Rua da Liberdade, Rua 1º de Maio, Rua 25 de Abril, Alameda do Povo, Rua do Trabalhador, Parque Zeca Afonso, ou mesmo Praceta Karl Marx, não por falta de cultura democrática mas porque aqui a luta pela democracia foi sempre relevante. Voltando novamente um pouco atrás, até ao tempo da candidatura do General Humberto Delgado, apesar das irregularidades normais naquele tempo, o candidato da oposição perdeu aqui por pouco mais de uma dezena de votos (ainda antes da criação da freguesia, estes resultados reportam à freguesia de Alhos Vedros da qual esta povoação fez parte até 1967). Nas eleições de 1969 para a Assembleia Nacional apesar da grande quantidade de habitantes impedidos de votar, a União Nacional apenas obteve 23,2% dos votos contra os 76,6% da CDE. Naturalmente, seguiram-se prisões e exílios políticos ...

Com a democracia, e a “estabilização” do regime democrático na alternância PS/PSD é fácil perceber que, graças ao espírito mesquinho de quem nos vai governando (este sim, um tique salazarento), um concelho e uma freguesia onde o PCP ganha eleições consecutivamente (e nesta freguesia sempre com maiorias absolutas), são votados ao abandono. Como exemplo recente, o Plano de Revitalização da Vila da Baixa da Banheira acordado entre o Município e o Governo recebe, da parte deste, apenas um terço das verbas acordadas. Em termos económicos, praticamente toda a grande indústria que alimentava esta zona desapareceu, ou foi reduzida drasticamente, e os tais velhos a que se refere, ainda antes de serem velhos, foram empurrados para o desemprego ou para reformas antecipadas. Ficam as tascas, os serviços, contrução civil, o pouco comercio tradicional que se aguenta com as grandes superfícies, e pouco mais. Os tempos estão difíceis, e ainda hoje ouvi na rádio que em Portugal um terço dos pobres são trabalhadores e outro terço são pensionistas.

Pelo atrás descrito facilmente se conclui que o panorama não é muito animador e as procissões também não pugnam por ser eventos muito alegres, nem mesmo esta igreja tem grande semelhança com as belas catedrais góticas que em tempos foram semeadas pela Europa. Em contrapartida temos um busto de um padre erigido à custa de subscrição popular, o que aos meu olhos surge como um monumento muito mais belo do que um monstreiro (não é erro) mandado erigir por um qualquer absolutista de bom nome. Não sendo também esta uma terra onde se note muito o avanço na cirurgia estética, ainda vão aparecendo, de tempos a tempos, um ou outro modelo automóvel de gama mais elevada, mas Ferraris é mais lá para o norte onde, dizem, se trabalha muito.

Curiosamente, esta é hoje uma freguesia onde aproximandamente 8 % da população concluiu o ensino superior, e onde 19% da população é estudante (segundo os censos de 2001), alguns deles certamente na antiga ESBAL ou mesmo na UAL. Como qualquer zona suburbana temos um Fórum Cultural, um parque urbano, algumas rotundas e lojas Minipreço.

Por último queria dizer-lhe que também já tentei fazer umas fotografias na procissão, não nesta (que nem da sua existência dei conta) mas na outra em honra a S. José Operário que se realiza lá mais para o verão, e tenho que lhe confessar que também não gostei. Como ateu também me fez confusão em encontrar por lá figuras que há muito conheço os seus hábitos nada cristãos, também me incomodaram os carros estacionados na rua a estragar 95 % das fotografias (sim, porque isto da fotografia tem muito de cerimonial religioso), e nunca deixo de me questionar sobre que fé é essa que leva as gentes em romaria atrás de um andor. Por tudo o que lhe descrevi, a conclusão a que chego é que somos portugueses, por muito que com isso se possa sentir admirado.

Para a proxima vez que cá quiser aparecer, se tiver oportunidade, avise com alguma antecedência e pode ser que se arranje um programa mais arrojado, nem que para isso se entre numa tasca para petiscar uns pastéis de bacalhau. Com sorte ainda se fazem umas fotografias.