Horário: 2ª feira a sexta, das 14 às 20 horas; sábados e domingos, das 10 às 22 horas.
blog de encontro onde se discute a Baixa da Banheira, sem falsas isenções, porque só é isento quem não tem opinião
2009-11-05
Horário: 2ª feira a sexta, das 14 às 20 horas; sábados e domingos, das 10 às 22 horas.
2009-01-29

O BxB-Inferface é uma ferramenta que permite um trabalho estruturado de recolha, e que suscita a que se revelem pequenas e grandes histórias, como aquela de um pequeno curso de água que deu origem a uma rua, ou a revelação feita pelo Dr. Raul Coelho sobre os meandros do processo de elevação da Baixa da Banheira a freguesia, ou ainda como tantas outras que se foram contando enquanto a exposição "Pessoas, Memórias e Lugares" foi visitando e crescendo nas colectividades da Baixa da Banheira.
Ao serem percorridas, algumas imagens suscitaram imediatamente o comentário dos presentes. Exemplos? Tantos: as mortes que levaram à construção das antigas cancelas da Rua 13, as praias antigamente existentes por esta "banheira do Tejo", as primeiras escolas, os primeiros professores, as campanhas de alfabetização ou as colectividades. Mas além dos que falaram, foram as conversas paralelas sobre esta ou aquela fotografia, esta ou aquela história, o indicador de que há ainda muito "húmus" por onde crescer.
Este é um processo aberto, participado e que tem todas as condições para crescer, e não só no mundo virtual, mas também lá fora, porque é a falar que estas histórias se revelam. E para tal, nada melhor do que trazer o BxB-Interface para a Rua.
Mas este projecto engloba também uma galeria de artes, onde os banheirenses poderão partilhar os seus trabalhos, e está preparado para incluir contribuições em texto, áudio e vídeo. Quem o visitar agora verá que ainda está em fase se implantação. Mas para já visitem-no, e se puderem contribuam.
2007-09-28
Quando alguém pretendeu rebatizar a Baixa da Banheira por Vila Nova de Fátima.
O Governador Civil de Setúbal, dr Miguel Rodrigues Bastos, visitara a Baixa da Banheira a fim de proceder à inauguração da luz eléctrica. Aguardava-o, para além de algumas entidades oficiais, uma comissão banheirense, que muito trabalhara para a instalação da luz neste lugar, composta por António de Almeida Martinho, reformado da Marinha de Guerra; António Pinheiro (Laia), comerciante e proprietário; Alfredo Gomes, proprietário e negociante de gados; José Casimiro, proprietário; António Lázaro, funcionário da C.U.F.; Francisco Carregosa, comerciante; Francisco Ribeiro Moreira da Silva, proprietário e industrial da construção civil; Manuel Ribeiro, proprietário e funcionário da C.U.F. e o Padre José F. Rodrigues Pereira, pároco de Alhos Vedros.
Depois da cerimónia, quando os visitados se despediam daquela comissão, inesperadamente, um dos comissionados, Manuel Ribeiro, membro destacado da extinta Legião Portuguesa, aproveitou o ensejo e, entre sorrisos e apertos de mão, fez votos para que o «senhor Governador Civil voltasse em breve à Baixa da Banheira a fim de instaurar a nova freguesia» (sic) que, propôs, se viesse a chamar Vila Nova de Fátima!
O insólito alvitre fora imprevisto e tão impertinente que desconcertou os presentes. Ninguém incumbira o Ribeiro de «rebatista» duma terra que na altura possuía já à volta de dez mil habitantes, e por isso não o apoiaram. Para além disso o ilogismo era flagrante pois os topónimos devem consubstanciar-se com os lugares onde se aplicam e ninguém descobrira qualquer relação entre esta progressiva terra, de gente operária, com a «aparição da Cova da Iria» em Vila Nova de Ourém.
A intenção bajuladora do Manuel Ribeiro era por demais evidente e então, só numa surdez, quase clandestina, alguns membros dessa comissão manifestaram a sua discordância. Nem o próprio pároco da Freguesia de Alhos Vedros, que estava presente se mostrou entusiasmado com a absurda sugestão do Ribeiro pois talvez, na altura, já fosse sua intenção dar o nome de S. José à paróquia que se forjava e daí a sua frieza.
Contudo esta estultice encontrou logo alguns aderentes que, pretendendo tirar proveitos da adulação do Manuel Ribeiro, a divulgaram sorrateiramente, mas o rebatismo era tão descabido que não encontrou o desejado eco no seio do povo e assim, após a efervescência provocada pelo imprevisto e pela controvérsia das opiniões, acabou por cair no esquecimento.
Quando da criação do «Núcleo dos Amigos da Baixa da Banheira» a toponímia do lugar a oposição de alguns que, mal avisados, se baseavam no picaresco do nome e até a imprensa, ignorando a razão da sua invulgaridade, o depreciava por vezes. O jornal «O Século», em 22 de Fevereiro de 1961, designou-o de «nome infeliz». No entanto, na intenção de esclarecer e dinamizar uma toponímia que na realidade se impunha, o «Núcleo» no primeiro jornal dedicado à Baixa da Banheira, expôs as suas justas razões do seu nome que nada tem de ridículo, grotesco ou infeliz e, aliás, é na realidade aquele que melhor se ajusta ao próprio lugar.
in "A Baixa da Banheira até aos nossos dias", José Rosa Figueiredo, 1979
2007-04-22

Esta semana reparei que esta casa histórica da Baixa da Banheira ostenta um placar onde se publicita o pedido de licenciamento para "edifício plurifamiliar". Não me lembro de alguma vez ter visto aquela casa habitada e o espaço encontra-se degradado há muitos anos, mas nem assim a sua beleza deixa de me impressionar. Mesmo sabendo que a futura ligação ferroviária a Lisboa possa aguçar o apetite de quem ali quer construir, o que aqui proponho é simples e nada original: que não se permitam alterações de grande relevo na fachada neste e noutros edifícios das imediações.
Há já muitos anos que não é possível manter uma rua inteira com as habitações térreas iniciais, mas ainda é possível pontualmente manter alguns espaços e edifícios que pelas suas linhas sejam relevantes. De memória lembro-me rápidamente de alguns, e este é sempre um dos primeiros, não só pelo edifício em si, mas como pelo local onde está implantado. Do outro lado da Rua do Trabalhador estão logo alí a barbearia e a antiga taberna do Barbosa, do outro lado da Praceta de Portugal estão edifícios altos mais recentes, e no meio da rotunda está plantada uma árvore (araucária excelsa) e o busto do Padre José Feliciano.
2007-02-17
2007-02-14
De princípio, embora não muito saborosa talvez devido à proximidade do Estuário de Tejo, bebia-se perfeitamente mas, em virtude das fossas e das infiltração das águas estagnadas que corriam em regueiras pelas ruas enlameadas e fétidas, cedo se tornou perigosa para a saúde.
É oportuno recordar um entrevista, publicada em 15 de Setembro de 1958 no «Jornal do Barreiro» concedida ao seu correspondente local pelo dr. Alcino Furtado Fragoso, médico que então aqui um consultório. Na altura tinha-se declarado na vila alentejana de Aljustrel um surto de febre tifóide cujo motivo fora a injestão de águas inquinadas.
Abordado sobre este caso o dr. Fragoso foi da opinião de que as condições higiénicas da Baixa da Banheira eram mais do que suficientes para que tal epidemia se declarasse aqui também, não só devido às águas dos poços como até através das moscas que proliferavam nas estrumeiras e na lama pútrida que poderiam contaminar géneros alimentícios.
A entrevista teria assustado a maioria da população desta localidade que passou a ir buscar água para beber a um fontenário da vizinha vila do Lavradio ou à Quinta da Várzea onde alguns dos seus inquilinos a vendiam, e como nem toda a gente tinha tempo para andar a acarretar água para casa, mormente aqueles que moravam mais distantes da extrema com o Lavradio, comprávam-na à porta a indivíduos que, como é natural, se dedicaram a este negócio.
2007-01-26
Direcção-Geral da Administração Política e Civil
Decreto-Lei n.º 47 513
Atendendo ao que representou a maioria absoluta dos chefes de família eleitores com residencia habitual no lugar da Baixa da Banheira, pertencente à freguesia de Alhos Vedros, do concelho da Moita, no sentido de ser criada a freguesia da Baixa da Banheira, com sede na povoação do mesmo nome.
Considerando que na circunscrição a criar já existem Igreja e Escolas Primárias.
Considerando que tanto a freguesia de origem como a que se pretende criar ficarão a dispor de recursos suficientes para ocorrer aos seus encargos.
Considerando que se verificam todas as demais condições referidas no artigo 9.º do Código Administrativo e se cumpriram as formalidades exigidas pela mesma disposição legal.
Usando da faculdade conferida pela 1.ª parte do n.º 2 do artigo 109.º da Constituição, o Governo e eu promulgo, para valer como lei, o seguinte:
Artigo 1.º - É criada no concelho da Moita, distrito de Setúbal, a freguesia da Baixa da Banheira, com sede na povoação do mesmo nome.
§ único - A freguesia da Baixa da Banheira é clasificada de 1.ª ordem.
Artigo 2.º - Os limites da nova freguesia são definidos por uma linha que, partindo da margem esquerda do rio Tejo,das marinhas de João da Silva e das de Sebastião Alves Dias, e orientando-se no sentido dos ponteiros do relógio, segue pela azinhaga de serventia das mesmas até encontrar a estrada nacional n.º 11 - 1ª, que intercepta ao quilometro 1.067, e por onde continua até alcançar a fábrica de cortiça pertencentes à firma Aldemiro & Mira, Ldª, ao quilometro 0.860; aqui inflecte para sul e avança por um caminho de pé posto situado junto da dita fábrica, até atingir a linha férrea, seguindo depois por esta até ao quilometro 4.565; dirige-se então para poente, prosseguindo pela azinhaga que separa a propriedade de Boaventura Martins da dos herdeiros de António Alves, até encontrar um caminho de pé posto que margina, de um lago a dita propriedade dos herdeiros de António Alves e o lugar da Vinha das Pedras e, do outro lado, a propriedade da Carvalheira, continuando por este caminho até atingir a estrada municipal pela qual avança até à estrema comum das propriedades do herdeiros de Fausto Braga e do Marquês de Rio Maior; a partir deste ponto, progride pela referida extrema até encontrar a azinhaga que separa as propriedades de herdeiros de Jorge Massito, António Anastásio Guerreiro, Quinta do Lacrau e Quinta da Chouriça das de José Veigas Valagão, João da Silva, Emília dos Santos e Quinta da Barroca, prosseguindo por esta azinhaga até ao pontão denominado Rio dos Paus; aqui, inflecte para sul, acompanhando a vala de água que se situa entre as propriedades de Quinta da Chouriça, Quinta da Ratinha e Quinta de Suzano dos Santos e a propriedade de Luis de Almeida Carvalho, até alcanças o pontão de serventia do bairro do Brejo Faria; continua pela mesma vala, atravessando sucessivamente, as propriedades de Marcelino de Sousa, Palmira Marques Estaca, Francisco de Sousa Dias, Florência de Almeida e propriedade denominada Migalha, até atingir o limite do concelho da Moita; neste ponto, dirigisse para poente, avançando por aquele limite até atingir a margem esquerda do Rio Tejo, que serve igualmente, de limite à nova freguesia até ao ponto onde se iniciou a descrição.
Artigo 3.º - A eleição da Junta de Freguesia da Baixa da banheira realizar-se-á no dia que for designado pelo Presidente da Câmara Municipal da Moita e serão eleitos os chefes de família da respectiva área inscritos no recenseamento eleitoral da freguesia de Alhos Vedros.
§ 1.º - A Junta eleita nos termos deste artigo servirá até ao final do quadriénio em curso.
§ 2.º - A competência atribuída pelo Código Administrativo ao presidente da Junta no que se refere à eleição e instalação, será exercida pelo presidente da Câmara Municipal da Moita.
Artigo 4.º - A Câmara Municipal da Moita procederá no prazo de 60 dias, a contar da publicação do presente decreto-lei, à colocação de marcos onde se tornem necessários, por forma que fiquem bem patentes os limites fixados no artigo 2.º
Publique-se e cumpra-se como nele se contém.
Paços do Governo da República, 26 de Janeiro de 1967 - Américo Deus Rodrigues Thomaz - António de Oliveira Salazar - António Jorge Martins da Mota Veiga - Manuel Gomes de Araújo - Alfredo Rodrigues dos Santos Júnior - João de Matos Antunes Varela - Ulisses Cruz de Aguiar Cortês - Joaquim da Luz Cunha - Fernando Quintanilha Mendonça Dias - Alberto Mariano Gorjão Franco Nogueira - Eduardo de Arantes e Oliveira - Joaquim Moreira da Silva Cunha - Inocêncio Galvão Teles - José Gonçalo da Cunha Sottomayor Correia de Oliveira - Carlos Gomes da Silva Ribeiro - José João Gonçalves de Proença - Francisco Pereira Neto de Carvalho.
2007-01-25
2007-01-05
2006-12-02
Rancho Folclórico «Os Operários do Sul do Tejo»
Se falar em folclore na Baixa da Banheira parece um pouco arrojado, mais ainda o pode parecer a criação dum Rancho Folclórico, sabendo que folclore é tradição, e que a Baixa da Banheira, com os seus 20 anos e poucos de existência, não a pode ter. Porém, se atentarmos no caso ímpar que no nosso país é esta vila, verificá-la-emos enriquecida não por uma, mas por múltiplas tradições, que a tornam terra dotada de um previlégio, dum motivo determinante e imperativo da criação dum rancho de folclore que traduza com fidelidade a origem heterogénea da nossa Baixa da Banheira, sem prejuízo de criações interpretativas, desta região industrial.
Se falar em folclore na Baixa da Banheira parece um pouco arrojado, mais ainda o pode parecer a criação dum Rancho Folclórico, sabendo que folclore é tradição, e que a Baixa da Banheira, com os seus 20 anos e poucos de existência, não a pode ter. Porém, se atentarmos no caso ímpar que no nosso país é esta vila, verificá-la-emos enriquecida não por uma, mas por múltiplas tradições, que a tornam terra dotada de um previlégio, dum motivo determinante e imperativo da criação dum rancho de folclore que traduza com fidelidade a origem heterogénea da nossa Baixa da Banheira, sem prejuízo de criações interpretativas, desta região industrial.
Posto isto, já para não podermos admirar-nos da tentativa de materialização duma aspiração, a criação dum Rancho que se propõe apresentar nas suas actuações, não exclusivamente o folclore desta ou daquela região, mas um pouco do folclore de todas as regiões, e aquele que será criação sua – o folclore industrial. E, por falar de folclore industrial devo esclarecer que entendo como tal o folclore interpretativo do ritmo da máquina, típico da nossa região, e que será a mais interessante
característica do nosso rancho e a melhor razão do orgulho para nós e para a Baixa da Banheira, por suceder ser caso único no nosso país e, creio que, no Mundo.
Para já, e para não me alongar em considerações que poderiam parecer prematuras, posso afirmar que nos tem rodeado um ambiente de carinho, de compreensão, de ajuda desinteressada que é um estímulo, não só por se saber que se a criação do nosso rancho é, em si, um fim também pelo qual pensamos oferecer às crianças da Baixa da Banheira um Parque Infantil.
O rancho, que ensaia na garagem de recolha do Sr. José Casimiro, por sua amável deferência, tem a direcção artística o prestimoso e prestigioso artista-amador barreirense Sr. Lavínio Vaz, que recentemente nos deu a sua adesão e que já nos dirigiu o ensaio que se realizou no pretérito dia 2 de Julho.
Acompanham o rancho os acordeonistas Sr. Francisco Nunes, e os seus dois filhos, Noémia (20 anos de idade) e Eduardo Nunes (16 anos de idade), todos moradores na rua 36 – vivenda Albino Mateus, nº7. Tecer encómios aos jovens acordeonistas, ou ao seu pai, é repetir o que é lugar comum porque, pelas suas actuações em público, nesta vila e nas digressões que têm realizado pela província, todos sabem do seu valor – valor que constitui justo motivo de orgulho para o nosso Rancho Folclórico, ao qual já deram a sua adesão as meninas:
Delmira Cruz Guerreiro
Deolinda Clara
Domingas Rodrigues
Esmeralda Fernandes
Maria Alice Torrado
Maria da Conceição
Maria Manuela
Maria Rosa
Maria Rosinda
Misabel Matos
Noémia Costa
E os Srs. :
Benigno Alvarez
Eduardo Campos
Lorivaldo
Joaquim Manuel
Jorge Matos
José Cabrita
Veríssimo Amado
2006-06-21
A construção do apeadeiro foi um marco na história da Baixa da Banheira.Adjudicada a 1ª fase a 24 de Junho de 1971, o apeadeiro viria a ser inaugurado na abertura das festas em honra a S. José Operário, a 8 de Julho de 1972, com a paragem do 1º comboio às 18h 37m, com destino a Setúbal.
Na data da abertura, com as obras ainda não concluídas, os acessos eram feitos a Sul pelo mercado, e a Norte por uma abertura provisória na vedação da linha com a Alameda do Povo, onde se situava a bilheteira provisória. O túnel só ficou concluído em 1973, data em que os acessos provisórios fora encerrados.
Como curiosidade fica o facto que, 30 anos depois, os dois acessos provisórios voltaram a ser abertos, provavelmente com o mesmo carácter temporário.
2006-06-17
Foi a 17 de Junho de 1984 que Luis Rodrigues, Kira, Rodrigo Freitas, Rosário Silva, Rogério Ribeiro e Luis Coelho (segundo creio, o único banheirense), se juntaram para criar um dos monumentos mais marcantes da nossa terra: o mural alusivo à elevação da Baixa da Banheira a Vila, aprovada a 16 de Maio desse mesmo ano.Passados 22 anos após a inauguração, e 10 após o último restauro, o mural situado na Alameda do Povo necessita de nova intervenção, dado que são já bem visíveis os efeitos do tempo, não só no mural em si, como também na iluminação que o serve.


