2007-04-30










Marta Harnecker escreveu um livro «Tornar Possível o Impossível: a esquerda no limiar do século XXI» que agora me foi dado a ler por um amigo, uma amigo verdadeiro, daqueles que primeiro nos critica e ensina e só depois nos felicita (nas raras vezes que o pode fazer). O livro "pequena" obra da autora, retrata os seus pensamentos sobre o mundo desde o que nos levou até aqui e para onde poderemos ir. Tornar possível o impossível sempre foi uma questão de tempo mas, de tempo consciente, do tempo das lutas e do trabalho.


Ao meu amigo Manuel um abraço.




21º Aniversário da CACAV

"NOITE DE LUA CHEIA"

"Em Maio Vamos Cantar Zeca Afonso"

No decorrer do mês de Maio/2007, vamos comemorar o 21 º Aniversário da CACAV.

Vamos festejar 21 anos de um percurso colectivo, feito de encontros, amizades e tantas descobertas, que nos levam a ter saudades do futuro.

Foi no dia 9 de Maio de 1986, que "nasceu" a CACAV, passados 3 anos de gestação.O caminho já vai longo, com muitas encruzilhadas, e muitos acrescentos que fizemos à nossa vida.
Apesar de tudo, temos motivos para sorrir!

No próximo dia 12 de Maio (Sábado), convidamos todos os sócios e amigos, a participarem na "Noite de Lua Cheia", que terá lugar na antiga fábrica da Guston, pelas 22 horas.
Vamos estar juntos, com a poesia à solta dedicando a Zeca Afonso, um momento muito especial!

Programa forte, bastantes surpresas e alegria com lotação esgotada!

Apareçam e tragam amigos!


Saudações!

A Direcção da CACAV
Esta decisão do Governo encerra em si algumas questões interessantes.

A primeira é a transferência da decisão final sobre a aprovação de "todos os tipos de planos municipais: planos de pormenor, planos de urbanização e planos directores municipais" para um órgão político não eleito mas escolhido pelo Governo. No fundo será sempre o Governo a decidir, mas sem os inconvenientes de uma ou outra decisão mais polémica. Fossem as CCDR's órgãos eleitos e esta questão, provavelmente, já não se colocaria.

Mas certamente que o efeito mais importante desta decisão prende-se com a clara responsabilização dos órgãos locais (Comissões de Coordenação Regionais e Municípios) com o ordenamento do seu território. Sendo um PDM um documento técnico, descreve um conjunto de opções políticas de gestão do território, opções essas que são da responsabilidade das Câmaras Municipais mas enquadradas em Planos Regionais de Ordenamento do Território (PROT). Assim, é lógico que a sua gestão seja da responsabilidade das entidades que estão no terreno, e para a qual deverão ter as competências necessárias.

Mas a responsabilização (como conceito abstracto) conduz a um maior poder, e quanto maior for esse poder maior deverá ser o cuidado de quem o exerce, não porque uns poderes sejam mais importantes que outros mas porque os seus efeitos são mais extensos. Aplicando esta ideia às medidas anunciadas pelo Governo, cabe agora às Autarquias ter (ainda mais) cuidado com o seu território. E porque os pequenos poderes não são menos importantes, cabe a todos nós sociedade, a responsabilidade de estarmos atentos ao nosso espaço, de o discutirmos abertamente e de intervir na sua gestão. Poderão dizer que até agora já era assim, é verdade, também concordo, mas agora a responsabilidade é maior. A isto chama-se Democracia e é imperativo que a saibamos honrar.

2007-04-26


Comemorações do 25 de Abril no parque José Afonso

2007-04-24


Lembram-se? Eles andam aí. Começam de mansinho a escrever coisas do tipo: "Era um poder autista, fechado sobre si mesmo, só amigo de uma elite que entrava nos seus negócios, que distribuia lugares só a quem tinha cartão da UN, monopartidário, impermeável às críticas e que perseguia e procurava caluniar quem discordava das suas opiniões." e depois escrevem outras tipo: "Para fingir que tem algo a dizer sobre o assunto, mas principalmente com o objectivo de denegrir a imagem de quem está a colocar de pé um acontecimento desta monta, deu ordem para os aparelhistas de 2ª e 3ª linha produzirem prosas sobre o tema, onde a qualidade técnica roça o zero e a opinião política impera, mas onde se nota principalmente o acinte, a raiva e o desejo de amesquinhar e denegrir quem incomoda.",ou seja, quem discorda de nós deve ser calado ou ridicularizado. Fracos de espirito que não suportam a diferença de opiniões. Assim e para disfarçar vêm falar do 25 de Abril, da liberdade, da opinião, quando se julgam superiores. O 25 de Abril é do povo e não dos pseudo mestres escola. Amanhã, dia 25 de Abril aproveitem e façam uma auto-critica, tipo daquelas que costumam fazer a quem discorda das vossas opiniões.
Viva a liberdade que me permite discordar e que permite que discordem de mim.
Ecce Homo

Desbaratamos deuses, procurando
Um que nos satisfaça ou justifique.
Desbaratamos esperança, imaginando
Uma causa maior que nos explique.

Pensando nos secamos e perdemos
Esta força selvagem e secreta,
Esta semente agreste que trazemos
E gera heróis e homens e poetas.

Pois Deuses somos nós. Deuses do fogo
Malhando-nos a carne, até que em brasa
Nossos sexos furiosos se confundam,

Nossos corpos pensantes se entrelacem
E sangue, raiva, desespero ou asa,
Os filhos que tivermos forem nossos.

José Carlos Ary dos Santos
Gueorgui Pinkhassov

Portugal visto por alguns fotógrafos da Magnum.


As nossas caixas de comentários não são um wc canino.
Obrigado

2007-04-23

Atletas do Ginásio Atlético Clube da Baixa da Banheira Campeões Nacionais no Campeonato Nacional de Duplo Minitrampolim e Tumbling.

Humberto Cantante no Tumbling e Cátia Alves no Duplo Minitrampolim estão de parabéns.
Um gajo que fez parte do governo de Durão Barroso, com a Manuela Ferreira Leite como Ministra das Finanças, devia era estar muito caladinho quando é de crescimento económico e de obsessão pelo défice que se fala. A bem da democracia...
Igreja da Baixa da Banheira

2007-04-22


Esta semana reparei que esta casa histórica da Baixa da Banheira ostenta um placar onde se publicita o pedido de licenciamento para "edifício plurifamiliar".

Não me lembro de alguma vez ter visto aquela casa habitada e o espaço encontra-se degradado há muitos anos, mas nem assim a sua beleza deixa de me impressionar. Mesmo sabendo que a futura ligação ferroviária a Lisboa possa aguçar o apetite de quem ali quer construir, o que aqui proponho é simples e nada original: que não se permitam alterações de grande relevo na fachada neste e noutros edifícios das imediações.

Há já muitos anos que não é possível manter uma rua inteira com as habitações térreas iniciais, mas ainda é possível pontualmente manter alguns espaços e edifícios que pelas suas linhas sejam relevantes. De memória lembro-me rápidamente de alguns, e este é sempre um dos primeiros, não só pelo edifício em si, mas como pelo local onde está implantado. Do outro lado da Rua do Trabalhador estão logo alí a barbearia e a antiga taberna do Barbosa, do outro lado da Praceta de Portugal estão edifícios altos mais recentes, e no meio da rotunda está plantada uma árvore (araucária excelsa) e o busto do Padre José Feliciano.

2007-04-21

O conjunto de armas - de diversos portes, natureza e calibre - e munições apreendido aos 31 arguidos integra cerca de dezena e meia de armas de fogo, explosivos, mais de um milhar de munições de vários calibres, dezenas de armas brancas, soqueiras, mocas, bastões, tacos de basebol e aerossóis

Eram todos bons rapazes, e acima de tudo, bons democratas .
25 de Abril, 33 anos depois
Alguém se lembra como era dantes?

Não se pense que tudo era mau. Até final dos anos 60, Portugal manteve-se, em muitos aspectos, na «pole position» dos países europeus ocidentais (ver António Barreto, "Mudança Social em Portugal: 1960-2000", in “Portugal Contemporâneo”, coordenação de António Costa Pinto, Dom Quixote, 2004). Assim: era o único império colonial sobrevivente; podia orgulhar-se do ditador com mais anos no poder; apresentava as mais altas taxas de analfabetismo e mortalidade infantil; o menor número de médicos e enfermeiros por habitante; o mais baixo rendimento por habitante; a menor produtividade no trabalho; o menor número de estudantes no ensino básico e superior; o menor número de pessoas abrangidas pelos sistemas de segurança social, a menor industrialização e a maior população agrícola. No fundo, no fundo, números à parte, tratava-se de um paraíso verde. Além das paisagens bucólicas e das viúvas de portentos buços, havia Fátima, havia fado e havia futebol. E no que toca a futebol, Eusébio era o mais que tudo.

2007-04-19

Depois de despedido o director José António Teixeira, os novos patrões do DN continuam uma limpeza que direi eu, pelo menos, ideológica. Sem as opiniões de Joana Amaral Dias, Ruben de Carvalho e José Medeiros Ferreira a viragem à direita é notória.
Através do Raízes e Antenas descobri que a TV Galiza e a RTP vão transmitir a 'Gala Homenaxe' a Zeca Afonso, no próximo dia 24.

VII Assembleia de Organização Regional de Setúbal do PCP
Foto: João Figueiredo

VII Assembleia de Organização Regional de Setúbal do PCP
Foto: João Figueiredo
Já que se fala em cinema, não convém esquecer que de 26 a 28 de Abril, no Fórum Cultural José Figueiredo, vai ser exibido um ciclo de Andrei Tarkovsky. A saber:

.26/4 Andrei Rubliov
.27/4 Solaris
.28/4 Stalker

E quem chegar um pouco antes das 21h30m ainda pode espreitar a exposição de fotografia “Heróis da Resistência” de Rogério Pedro.
Aí está o indielisboa

2007-04-17

Politiquices da treta

Abrimos os jornais e o que vemos? As concelhias do PS um pouco por toda a parte a anunciarem a hecatombe do Partido Comunista Português no Poder Local na nossa Península de Setúbal. É sempre a mesma cassete. Mais de trinta de anos no poder, afirmam os senhores, sublinhando que a “queda” se aproxima. Ideias nada, serviço às populações da Península pouco ou nenhum. Este remédio nunca lhes curou as feridas e nas últimas eleições autárquicas até lhes provocou uma grave infecção.
A argumentação destrutiva transforma-se em construtiva quando se trata de defender as políticas de governo, seja na saúde, seja na localização de infra-estruturas como é o caso do aeroporto da OTA. Políticas essas que tanto têm de justo como de justificável. Apontam o caminho da meia dúzia ou seja, o caminho da penalização das populações e trabalhadores. Como é que estes “socialistas” (salvo melhor termo) conseguem defender o indefensável.
Quantas vezes ouvimos essas vozes a questionarem a falta de investimento público na nossa Península? A resposta a esta pergunta faz-me rir, mas é mesmo assim. Sempre que o governo é PSD ainda que estes promovam mais investimento público na Península que o PS. A isto eu chamo falta de vergonha na cara e estes “socialistas” já usam esta forma de agir há muito tempo. Fruta da época.
No mês de Abril é estranho que não se analise o percurso da Democracia em Portugal. Esta Democracia que os sucessivos governos “chutam” para canto e que o nosso Presidente da República considera dia sim, dia não, dependendo da sua agenda.
No mês de Abril é estranho que não se analise as mudanças na Península de Setúbal nas últimas décadas. Foi nesta “nossa” terra que :

1) a primeira Associação de Municípios a nível Distrital foi criada;
2) o primeiro Plano Integrado de Desenvolvimento Distrital foi elaborado;
3) o primeiro Plano Interconcelhio de Circulação foi produzido;
4) todos os concelhos elaboraram Planos Directores Municipais e o nosso Município, a Moita, foi o primeiro, a nível nacional, a concluir este importante instrumento de Ordenamento do Território a par de Évora;
5) uma visão coerente e integrada dos actores regionais, com vista o desenvolvimento, produziu o Plano Estratégico para o Desenvolvimento da Península de Setúbal;

Estas iniciativas pioneiras deram frutos. A Península de Setúbal é hoje a 3ª região do país mais desenvolvida, mas as politiquices da treta ajudam a criar uma imagem menos positiva da região. Estes discursos demagógicos e populistas esbarram nas estatísticas e na vontade popular e é por isso que nos tais 30 anos, se construiu o que hoje temos e que até é reconhecido a nível internacional em vários aspectos, como por exemplo a nível tecnológico. Em Maio, na «Conference on Bridging the Broadband Gap: Benefits of broadband for rural areas and less developed regions», o Projecto Setúbal Peninsula Digital vai ser reconhecido como um exemplo a nível europeu.
De Abril para cá, nos últimos 33 anos, muito se fez, ainda que muitos “socialistas” enfiassem o espirito da liberdade, solidariedade e fraternidade na gaveta.
De Abril para cá, nos últimos 33 anos, ainda não se resolveram todos os problemas, mas não é com conversa da treta que lá vamos é com trabalho, honestidade e competência.

Nuno Cavaco
Membro da DORS
do Partido Comunista Português








2007-04-16

continuo a gostar de ouvir isto


Há uns 15, talvez 20 anos, acompanhava a cena musical local com alguma intensidade, conhecia músicos, ia assistir a alguns ensaios, não falhava um concerto. A onda sonora espalhava-se essencialmente pelo rock e hard rock e os mais conhecidos foram os Ibéria, que chegaram a gravar LP's e fizeram um teledisco. Existiam outros como os Arabian Penthouse, ou os meus favoritos (e não só porque eram amigos) Malucos p'ra Troca. Os anos passaram e eu fui-me afastando, assim como a quase totalidade dos músicos com quem me relacionava.

Na tarde deste ultimo domingo fui assistir a um concerto hip-hop no Parque Zeca Afonso, e com alguma nostalgia notei que "music box's" e "dj's" substituiram as guitarras e baterias e os "mc's" declamam enquanto os vocalistas cantavam. Mas a nostalgia acaba aqui. Enquanto dantes, nas pequenas bandas mal se sabia tocar quitarra, agora a tecnologia e a técnica estão dominadas, e coisa dantes rara, mudaram-se da garagem para o estúdio. é certo que agora um computador faz quase tudo, poucos sabem o que é um acorde, e provavelmente nem precisam.

Arrisco-me também a dizer que, apesar de não saberam ler ou escrever música, a sua cultura musical é agora maior. Conhecem mais do género que praticam e fora dele, o que conduz aos inevitáveis cruzamentos. Em contrapartida a originalidade é menor, estes conhecem mais e imitam, os outros não conheciam e inventavam.

As letras dependem sempre de quem as escreve, a sua qualidade é independente do tempo em que são escritas ou dos géneros em que se inserem, e essa foi a minha maior surpresa. Há por aí muita qualidade à solta...
A respeito das Revisões dos PDM´s e das mais valias

É muito estranho que nenhuma Revisão de PDM tenha sido aprovada, pelo que isto levanta algumas dúvidas sobre a seriedade dos procedimentos que levam a que isto aconteça. Tais dúvidas podem e devem ser colocadas. Na minha opinião a não aprovação das Revisões interessa a número pouco significativo de portugueses, porque estas aprovações, "afectariam" a sua vida económica, vejamos então:

1- Nos PDM´s em vigor a classificação de solo urbano coloca nas mãos dos promotores todas as possibilidades de construir, com a novas revisões isso não se passa assim. Por exemplo, se num concelho existem 20000 fogos e 10000 destes não são usados, as Câmaras Municipais podem argumentar que não entendem como pertinente mais construção e como tal não a autorizam mediante estes argumentos. Com os PDM´s em vigor isto nunca poderia acontecer.

2- As mais "valias" no nosso quadro legal de ordenamento do território podem ser consideradas de duas formas, nos espaços a ceder às Câmaras Municipais(e em alguns casos infra-estruturas e equipamentos) e no encaixe financeiro que resultam das operações sobre o território. Ora, se analisarmos o comportamento de muitos municípios observamos claramente que as mais valias estão destinadas aos promotores. No nosso concelho isso não se passa assim. Os executivos da CDU que por cá têm passado sempre souberam reivindicar parte das mais valias para as populações. São exemplos disto a construção de estradas.


3- Por último e para não me alongar. Do ponto de vista da democracia é profundamente errado que uma estrutura regional, não eleita, como é o caso das CCDR´s, tenham tanto poder sobre a aprovação e acompanhamento dos processos de revisão dos instrumentos de ordenamento do território. Isto é estranho e anti-democrático uma vez que estas estruturas poderão funcionar como forças de bloqueio (uma vez que são "controladas" pelos governos). A resolução para este problema passa pela regionalização.

Assim, a não aprovação dos planos interessa aos especuladores imobiliários e aos grandes interesses instalados, porque mantêm a posição de domínio sobre o território. É por isso notório a proliferação desta indústria especulativa (vejam o caso das empresas imobiliárias, parecem cogumelos a nascer e sempre a aumentar o seu volume de negócios).

2007-04-11

Da entrevista do primeiro-ministro, e das primeiras análises a que assisti, fico com ideia de que as dúvidas sobre a sua licenciatura só tomaram as proporções que se estão a ver porque o gabinete de José Sócrates, e o próprio, tentaram abafar o caso com diversas pressões sobre a imprensa, uma mesma imprensa que vinha atestando a sua incompetência ao fazer alarde sobre a eficácia da "central de comunicação do governo". E foram só estas pressões que conduziram a imprensa apenas contra Sócrates.

Resta saber que repercussões terá este episódio sobre a descrição e análise das políticas governativas por parte da comunicação social, essas sim bem mais gravosas para o país.
Quercus contesta circulação rodoviária na 3ª travessia do Tejo
«Vão aprovar uma coisa que a Madeira se recusa a aplicar e é mais um desprestígio para a democracia»

Eu diria mesmo que a democracia nunca esteve prestigiada na Madeira. E aí a responsabilidade cai sobre Alberto João Jardim, e naturalmente sobre o PSD, porque não tem coragem de romper com este caciquismo, como teve nas ultimas autárquicas em relação um ou outro candidato.
É um sinal dos tempos que um caso aparentemente anedótico e exterior ao seu desempenho como primeiro-ministro acabe por sobrepor-se à apreciação da actividade governativa. Mas a história das democracias está cheia de episódios assim, por mais que lhe custe (e nos custe) admiti-lo. Goste-se ou não, o que está neste momento a ser escrutinado não é a qualidade de um Governo mas a qualidade de carácter do seu chefe. E o juízo feito sobre esse carácter acabará por influenciar decisivamente a confiança que os cidadãos depositam em si e no seu Governo.

Subscrevo boa parte do que escreve hoje Vicente Jorge Silva na sua Carta aberta a José Sócrates

2007-04-09




António Gervásio

Membro da Organização Regional de Évora


A 4 de Dezembro de 1961, em pleno dia – 10 da manhã –, oito destacados militantes comunistas, rompendo a forte segurança policial, fogem com êxito do Forte de Caxias num velho «Mercedes» à prova de bala, oferecido por Hitler ao ditador Salazar.
Recordamos os oito fugitivos: José Magro, Francisco Miguel, Domingos Abrantes, António Gervásio, Guilherme de Carvalho, Ilídio Esteves, Rolando Verdial (todos funcionários do Partido) e António Tereso.
Foi grande o impacto nacional desta fuga. As pessoas ficaram impressionadas: como foi possível, em pleno dia, num pátio interior do forte rodeado de taludes, GNR’s, carcereiros armados e sempre com os olhos postos nos movimentos de cada preso, chegar um automóvel e, num abrir e fechar de olhos, oitos presos desaparecerem sem os guardas terem tempo para compreender o que se estava a passar? É natural que surjam tais interrogações. Sem dúvida que jogou muito o factor surpresa e a rapidez – agir tão rápido que os guardas não tivessem tempo de pensar que se tratava de uma fuga!
Cada fuga tem a sua história. A fuga de Caxias não foi uma realização ao acaso, nem uma aventura. Ela envolve um longo trabalho colectivo (cerca de um ano), paciente, minucioso, um conhecimento profundo de variadíssimos detalhes.

Na cadeia a luta continua
Na história do Partido, na sua luta sem tréguas contra o fascismo, tiveram lugar numerosas fugas, individuais e colectivas, de quadros destacados do Partido. Recordamos a extraordinária fuga colectiva de Peniche, a 3 de Janeiro de 1960, de dez dirigentes do Partido, seis deles do Comité Central, entre os quais Álvaro Cunhal. Recordamos as corajosas fugas de António Dias Lourenço, Joaquim Gomes, Jaime Serra, Francisco Miguel, Pires Jorge, Blanqui Teixeira, Georgete Ferreira, Pedro Soares, Dinis Miranda, Américo de Sousa, entre muitos outros.
Cada fuga tem as suas particularidades, mas todas elas têm um eixo comum – o Partido e a sua cultura revolucionária. Não há fugas sem o Partido. As fugas foram sempre uma fonte de importância capital para a recuperação de quadros destacados do Partido.
O elevado número de fugas não nos deve levar a pensar que as cadeias fascistas eram calabouços frágeis de onde se podia fugir facilmente. Nada disso! A Pide introduzia constantemente medidas rigorosas de segurança. Quem passou longos anos na cadeia sabe disso. Os comunistas eram condenados a pesadas penas. E, mesmo depois de cumpridas essas penas, continuavam presos por força das famigeradas «medidas de segurança».
Recordo que os 36 membros do Comité Central, eleitos no VII Congresso do PCP em Outubro de 1974, tinham sofrido, no seu conjunto, 308 anos de cadeia! Esta brutal violência também estimulava o pensamento na fuga...
O Partido sempre deu particular atenção à formação dos seus quadros. Sempre os instruiu para que, uma vez nas mãos do inimigo, não aceitassem a prisão como facto consumado e como sendo o fim da luta. Não, na cadeia, embora em condições mais duras, a luta continuava. Se assim não fosse não teríamos tido numerosas e corajosas fugas. O Partido educou os seus quadros para que continuassem a resistência, a preparação política e ideológica, a perspectiva de fugir e explorassem todas as fraquezas de segurança da cadeia com o objectivo de retomar o posto de combate pela causa dos trabalhadores, da liberdade e da democracia. É esta a cultura de combate que aprendemos neste grande Partido.

Preparação da fuga
Nos finais da década de 50 o Partido tinha sofrido duros golpes com a prisão de numerosos funcionários. Nessa altura, muitos deles encontravam-se no Forte de Caxias. A Pide temia os funcionários do Partido e tinha razões para isso... A polícia, com receio das fugas, tinha medo de os juntar na mesma sala. Por outro lado, procurava não dividi-los pelas salas dos outros presos para impedir o trabalho de esclarecimento e organização; para não permitir que ensinassem a ler e a escrever e estabelecessem ligações entre salas, pisos e alas, etc.
Contudo, a certa altura, a Pide decidiu distribuir os funcionários do Partido pelas salas dos outros presos. Isso veio possibilitar o reforço das ligações entre salas e pisos e dar passos na direcção da fuga. Não demorou muito que a Pide voltasse de novo a juntar os funcionários numa sala do rés-do-chão que oferecia maior segurança, o que veio facilitar a preparação, uma vez que estavam todos juntos.
Um certo dia soubemos que se encontrava na garagem da cadeia um «Mercedes» à prova de bala. Esta informação teve uma enorme importância para se perspectivar a fuga. Todos os esforços se viraram para o «Mercedes». Era necessário conhecer o estado do carro, repará-lo, arranjar combustível, fazer ensaios. Colocava-se a questão: como chegar ao «Mercedes» sem levantar o mínimo de suspeita? A organização do Partido na cadeia pôs a imaginação a trabalhar. E, como se costuma dizer, para os comunistas as dificuldades só existem para serem vencidas.

A história do «rachado»
No Forte de Caxias existiam alguns presos com comportamentos fracos que, a troco de visitas em comum com familiares, apanhar sol, receber comida da família, se dispunham a fazer alguns serviços da cadeia, como limpezas e outros. A esses presos, os outros chamavam-lhes «rachados» (uma coisa que não presta). Estudando esta realidade dos «rachados», a organização do Partido na cadeia avançou com a ideia de arranjar um «rachado» fingido, um quadro sério, corajoso, capaz de assumir tarefas difíceis e arriscadas.
Essa escolha foi cair no camarada Tereso, motorista da Carris, com conhecimentos mecânicos e outras capacidades. Não vamos explicar um conjunto de situações diversas. Dizer só que levou tempo a ganhá-lo para a tarefa, pois ele não aceitava a ideia de ser «rachado» mesmo a fingir. Contudo, sendo uma tarefa do Partido, acabou por aceitá-la. A Pide, desconfiada, demorou tempo a ser convencida.
Uma das tarefas do novo «rachado» era ganhar a confiança dos carcereiros. Começou por arranjar os carros da cadeia, depois os carros do director do Forte e de alguns Pides. A sua credibilidade foi crescendo e passado tempos chegou ao célebre «Mercedes». Estudou-o, foi-o reparando e sacando combustível da cadeia. Com o andar dos tempos começou a fazer experiências, pequenas manobras no pátio do forte, ensaios que foram aumentando.

Os passos finais
Passaram-se vários meses. Os dados estavam lançados. As andanças do «Mercedes» eram vistas como normais pela GNR. Os batentes de cimento do portão do exterior estavam devidamente estudados: não iriam resistir ao embate do «Mercedes».
A fuga tinha de realizar-se antes das 10 horas da manhã, porque depois dessa hora chegavam ao portão familiares dos presos para as visitas. Estavam asseguradas medidas para não haver pessoas atrás do portão e era rigorosamente necessário que no dia da fuga os carros da cadeia e da Pide, dentro do forte, estivessem, antes das 9 horas, todos imobilizados, avariados, para não poderem perseguir os fugitivos – medida que também foi assegurada.
Estava definido quais os oito camaradas que iriam participar na fuga. A casa da guarda (GNR) ficava no meio do túnel que dava acesso ao pátio do recreio dos funcionários presos e ao portão do exterior. Junto à casa da guarda havia um gradão de ferro. Havia comandantes que tinham o túnel fechado com o gradão durante o dia, outros tinham-no aberto. No dia da fuga o túnel estava fechado.
Algumas semanas antes da fuga a Pide inventou um estratagema na escala dos recreios no sentido dos funcionários presos nunca saberem o dia e a hora certa do recreio, tudo isto com receio de fuga! Mas, passados alguns dias, descobrimos o segredo pidesco.
Finalmente chegou o dia decisivo. A 4 de Dezembro de 1961, às nove e pouco da manhã, a Pide abre-nos a porta para o recreio. Estávamos um pouco tensos. Alguns de nós pensámos: vamos sair e já não voltaremos!
No recreio iniciámos o nosso jogo tradicional de voleibol que fazia parte de outra jogada... A GNR, nos taludes, observava-nos. No nosso meio circulavam carcereiros armados..
Poucos minutos depois vemos o «Mercedes» conduzido por Tereso subindo em marcha atrás o túnel por onde iríamos fugir. O «Mercedes» chegou até junto de nós. Começámos a «protestar», os guardas muito atentos, aproximámo-nos do carro cujas portas só estavam encostadas – tudo aparentemente sereno mas muito rápido. Ouve-se o grito da senha: GOLO! E num gesto super rápido os oito fugitivos estavam no interior do «Mercedes» que, em grande velocidade, avança pelo túnel em direcção à liberdade. A sentinela não teve sequer tempo de fechar o gradão. O «Mercedes» vai direito ao portão exterior, arranca em primeira, dá uma pancada no portão que salta em pedaços! Ouvem-se tiros de metralhadora. O «Mercedes» arranca encostado ao talude do forte. Chovem tiros e ouvem-se as balas a fazerem ricochete no carro.
Os carcereiros correm em busca dos carros da cadeia, mas, para seu azar, nenhum deles quis mexer-se, estavam todos avariados! Não podiam perseguir os comunistas fugitivos...
Cerca de 10 minutos depois, os oito fugitivos estavam em Lisboa. Cada um seguiu o seu rumo a abraçar as novas tarefas do Partido. O «Mercedes» ficou a descansar na rua Arco do Carvalhão até a Pide o ir buscar...

A fuga de Caxias faz parte do património revolucionário do PCP, partido da classe operária e de todos os trabalhadores. Partido da resistência, da verdade, da esperança, da liberdade e do socialismo!
«O Militante» - N.º 280 Janeiro /Fevereiro 2006
Largo da GNR

Por mais que o Peter Ustinov brilhe no Quo Vadis, continuo a eleger A Vida de Brian como eu meu filme de páscoa favorito

2007-04-07

Em Março e Abril de 1985, o Departamento de Música Popular da Westdeutscher Rundfunk de Colónia (Alemanha), uma instituição pública sem fins comerciais, que incluía na sua programação semanal cerca de 12 horas dedicadas a música étnica de todo o mundo, apoiou uma missão de recolha de música portuguesa em Trás os Montes e em Lisboa (incluíndo assim alguns grupos de música popular urbana e de emigrantes aqui residentes). O objectivo era gravar música e músicos que não tinham acesso a gravações de editoras comerciais para a realização de programas semanais de cerca de 50 minutos dedicados à música popular que se faz em Portugal.

A direcção científica do projecto foi assegurada por Domingos Morais, que selecionou as situações a documentar e a preparação das sessões de gravação com os participantes. Walburga Manemmann, da WDR de Köln, responsável pela programação daquela estação de rádio alemã, acompanhou a equipa técnica (que pela primeira vez gravou música popular portuguesa em suporte digital) e realizou posteriormente uma série de programas sobre Portugal. Uma cópia das gravações efectuadas foi oferecida ao Centro de Estudos de Etnologia, para consulta e divulgação, desde que sem fins comerciais.

Esta recolha passou pela Baixa da Banheira, e da qual destaco

Eu despedi-me a chorar (2:53)
do Grupo Coral Alentejano da Baixa da Banheira
Largo da GNR
Serve o presente post para informar que, assim que possível, um equipamento deste género será instalado neste blog. Entretanto pede-se a compreensão a todos os que vão tropeçando em dejectos de rato deixados indiscriminadamente nas nossas caixas de comentários. Obrigado.

2007-04-06

À falta de argumentação alguns idiotas respondem com intimidação. Nada de novo na extrema direita...

2007-04-05

Como aqui se demonstra, o insulto é sinal de falta de inteligência...

2007-04-04

A Europa reconhece bom trabalho em Portugal

Aqui pode constatar que a Península de Setúbal segue um caminho de modernidade.

"O Projecto Setúbal – Península Digital foi um dos 49 seleccionados, de entre 163 de toda a Europa, para estar presente na conferência denominada «Conference on Bridging the Broadband Gap: Benefits of broadband for rural areas and less developed regions», promovido pela Comissão Europeia, que se realizará em Bruxelas, nos próximos dias 14 e 15 de Maio. "

Eu trabalhei para este projecto e sinto que se fez um excelente trabalho apesar de nem tudo ter corrido bem. Dificuldades de traçado, problemas com as obras, atrasos (muito controlados nos prazos de execução). Mas o post fica para quando tudo estiver terminado.
Não há pachorra



Estou farto dos Sr. Bastos e Ramalhos. Socialistas só de nome e do partido.



Vem o Sr. Bastos defender a tese de que aqueles que advogam um aeroporto na margem sul do Tejo têm interesses imobiliários, claro que está, que o que ele alega como um impedimento para a localização do aeroporto na margem sul, a preservação ambiental, não o faz quando se trata de co-incineração, mas percebe-se porquê!



O Sr. Vitor Ramalho acusou a maioria das Câmaras da Península de Setúbal de estarem de costas voltadas, claro que o Montijo, única Câmara de gestão socialista está bem e é recomendada, por ele, é claro.



Referiram também por várias vezes que as Câmaras de gestão comunista cresceram muito, que são um mar de betão. Vejamos então se isto é verdade:



Em 2001, segundo o INE (Estatísticas da Construção de Edifícios):



Na região de Lisboa e Vale do Tejo em 2001 foram construídos 12081 novos edifícios, que na Península de Setúbal tiveram a seguinte distribuição:




Alcochete 105
Almada 438
Barreiro 117
Moita 194
Montijo 197
Palmela 447
Seixal 476
Sesimbra 552
Setúbal 451



Como se pode observar o Concelho da Moita foi dos que registou menos construção ao passo que Sesimbra, na altura de gestão socialista, foi o que registou mais construção. Portanto, estes senhores estão bem onde estão no Partido Socialista.


Espero sinceramente que a acção social passe rapidamente para a competência das autarquias. Veja-se ao estado em que a Segurança Social deixou chegar o exterior do Centro de Bem-Estar Social da Baixa da Banheira:

Ao lado da porta de entrada, o muro mantém-se derrubado há meses.

Foi vedado o acesso ao campo de jogos, a uma pequena horta e a um galinheiro, e esta zona foi deixada ao abandono. Ou seja, as dezenas de crianças que ali crescem deixaram de ter espaço para estas actividades.

2007-04-02

Não podendo, nem querendo, controlar quem nos visita, resta-me esperar que quem aqui entra se saiba comportar.

E já agora, sem deixar de ser intolerante para com o fascismo, parece-me que a pior maneira de o combater é o insulto. Uma ideologia que promove o ódio não necessita de insultos. Insulta-se a si própria.
As novas taxas que este fim-de-semana entraram em vigor no Serviço Nacional de Saúde não são uma questão de poupança, mas sim uma questão de política, introduzindo o principio do utilizador-pagador ao atropelo da Constituição. E a desculpa esfarrapada da redução das despesas em 14% ainda se torna mais patética, porque como é simples de perceber "práticas sistemáticas e anómalas", e muitas vezes "sem a mínima contrapartida" não podem existir na administração pública.

Apresento-vos um pequeno exercício de contas, porventura algo simplório, mas elucidativo. Se no triénio 2003-2005 os gabinetes governamentais movimentaram, em "práticas sistemáticas e anómalas" e muitas vezes "sem a mínima contrapartida", 3,1 mil milhões de euros, em média terão sido gastos 1,033 mil milhões de euros por ano. Se como o governo diz, houve uma redução em 14% nestas despesas, significa que em 2006 foram gastos aproximadamente 888,6 milhões de euros. Mesmo arredondado as contas para os 800 milhões de euros, este valor ainda está muito distante dos 16 milhões de euros que o Estado pretende arrecadar com as taxas no SNS.

E isto sem sequer tentar descortinar para onde foram a totalidade dos 12,5 mil milhões de euros gastos nos gabinetes ministeriais sob a responsabilidade dos governos de Durão Barroso, Santana Lopes e José Sócrates durante o mesmo período de tempo...