2007-05-31

Greve, digo eu..

Sim, é um direito, constitucionalmente consagrado. Muitas vezes, quase, uma obrigação. Sabe-se que não serve para nada. Sabe-se que serve para tudo. Já houve um tempo neste país em que fazer greve podia valer a prisão. Hoje, o "castigo" é simplesmente financeiro. Quando não abre a porta a um despedimento a prazo. Mas o medo permanece. O medo e a inércia cívica. Sabe-se que não serve para nada. Sabe-se que serve para tudo. Mas entre o nada e o tudo... a dignidade acontece. A dignidade de quem ousa dizer não, quando é preciso...


Diz-se no Abnoxio

2007-05-30

O editorial do Diário de Noticías de hoje é profundamente chocante.

Podemos ler:

"A Comissão de Protecção de Dados (CPD) chumbou a possibilidade de passar para um ficheiro específico os dados de cada funcionário público que venha a declarar-se em greve. A razão invocada é a de que os dados de identificação pessoal podiam dar azo a um tratamento abusivo por parte daqueles que os detêm. A decisão é surpreendente e irrelevante. Surpreendente, porque radica numa desconfiança de comportamento persecutório por parte das chefias do aparelho de Estado não provada no passado. Irrelevante, porque não impede que cada serviço tente saber o que está a acontecer a cada funcionário seu que hoje não se apresente ao trabalho. Sem uma técnica informática que separaria à velocidade da luz o trigo dos grevistas do joio dos outros faltosos, a contabilização vai levar mais tempo, consumir mais recursos, sair mais cara. Mas será feita. "

Em Portugal o governo nem tem decretado serviços mínimos que mais parecem máximos;

Em Portugal nenhum professor foi perseguido por fazer uma piada sobre o nosso primeiro-ministro;

Em Portugal nem sequer existem motivos para fazer greve segundo o "chefe" da 2ª maior "confenderação" sindical, que por acaso é um senhor do partido socialista;

E não é em Portugal que existe o maior número de precários na Europa;

E não em Portugal que o poder de compra das famílias se degrada ao mesmo tempo que o 4 maiores grupos económicos têm lucros de 10 000€ por minuto;

Não, não é em Portugal. Aqui na Baixa da Banheira toda a gente anda satisfeita, com dinheiro no bolso, com as contas pagas, com acesso à saúde e aos transportes. Na Baixa da Banheira à semelhança do que se passa em todo o Portugal as pessoas também consideram que não existem motivos para greve, aliás fazem-na porque gostam de receber ainda menos do que a merda de ordenado que recebem ao final do mês.

Em Portugal e na Baixa da Banheira qualquer dia não vai haver dinheiro para comprar o Diário de Notícias.
A Baixa da Banheira e o Aquecimento Global

Não sei porque é que os senhores que batem com a mão no peito e defendem que o Aquecimento Global está aí se admiram de um ministro que considera a margem sul um deserto. Também não percebo porque é os senhores do PSD se mostram tão indignados uma vez que eles, à semelhança do PS cortam no Plano de Investimentos para a Região. Na Baixa da Banheira já existem palmeiras ...

E o nivo Centro de Saúde da Baixa da Banheira seria uma fonte na vida de milhares de pessoas.

2007-05-29

Cumpre o seu horário com o rigor possível de quem tem duas crianças em casa e utiliza exclusivamente transportes públicos. Não é um funcionário exemplar, é um bom funcionário em quem se pode confiar. Desde que este governo iniciou funções passou a pagar mais impostos, a gastar mais em saúde, viu a reforma fugir-lhe uns anos e diminuir em valor. M nunca fez greve, mas desta vez distribui panfletos dos sindicatos pelos colegas e fala da necessidade em que a greve seja um sucesso “para que eles vejam que não podem brincar connosco”. M nunca acreditou que o trabalho libertasse alguém, mas sempre valorizou o seu trabalho e sempre o desempenhou com orgulho. Nunca quis saber “das coisas dos partidos e da politica”, porque “pensava que ia dar tudo ao mesmo”.

Agora, já em cima dos 50, M descobriu a importância da luta de classes.
A respeito de algumas idiotices que para aí se escrevem.

1- Só quem não sabe o que é uma autarquia é que fotografa um buraco na calçada e o apresenta como mau trabalho, aliás, mau trabalho é certamente e tem que ver com o que se paga aos calceteiros no público e no privado. No público um calceteiro aufere cerca de 400€ por mês, no privado pode chegar aos 1500€, assim são poucos os calceteiros que querem trabalhar no sector público (e com muita razão).

2- A calçada portuguesa será um património ou um problema? E porque não organizar uma Conferência Nacional sobre isto? Está lançado o desafio pode ser que alguém, preocupado, queira fazer algo sobre o assunto.

3- O Estacionamento abusivo, a colocação dos ares condicionados, o pinga-pinga das varandas, provocam uma perda de coesão entre as pedras da calçada e a terra que as sustenta não as consegue manter, abrindo os famosos buracos.

4- Poderemos apontar falhas e aqui não só à Câmara da Moita mas a todas, ou a quase todas, no que respeita à falta de coordenação entre serviços que intervém na calçada. Todos levantam as pedras mas poucos as colocam.

E para finalizar, as pessoas ou a Sociedade Civil (como muitos gostam) têm um papel essêncial na resolução destes problemas, reclamando, exigindo, sugerindo e devem-no fazer pelos meios correctos porque se assim não o fizerem o problema continua.
A Comissão Nacional de Protecção de Dados proibiu, esta terça-feira, o Ministério da Finanças de identificar os funcionários públicos que aderirem à greve geral de quarta-feira, por considerar esse procedimento ilegal e discriminatório. - Fonte: TSF

As medidas fascistas tomadas por este governo são o reflexo do desespero e da falta de respeito pelos portugueses.


2007-05-28





















A margem sul segundo Mário Lino


Na Margem Sul alguns tentam provocar tempestades de areia.
Os autarcas do PSD na região da OTA participam em mega-jantares com intuito de pressionarem o governo a avançar o mais rapidamente na construção do aeroporto na OTA. O próprio PSD já colocou como tema central da sua actuação a construção do aeroporto na OTA (quando era governo) e por isso não percebo o porquê desta foto e deste cartaz. Quem não quer ser camelo não lhe veste a pele e se hoje dizem uma coisa e ontem diziam outra ...
Na minha opinião o aeroporto deveria ser construído na margem sul, juntamente com a plataforma logistica do Poceirão e com a dinamização do Porto de Sines o que permitiria potenciar a localização da nossa região, afirmando-a no país e no mundo num contexto muito favorável no que diz respeito a trocas comerciais.

2007-05-27

A justiça reveste-se de muitas facetas. No desporto profissional há muito que se enviesam resultados sob o beneplácito de apitos mais ou menos reluzentes. Doping, artimanhas burocrático-financeiras, e outras, deveriam ser mais que suficientes para nos desacreditar em justiças de resultados.

Nesta época futebolística nem só os clubes despromovidos à II Liga foram os maiores prejudicados com esta bandalheira. Ganhou quem não paga salários, desceu quem os pagou, mesmo que o tenha feito no último dia. Ganharam os orçamentos irrealistas, ganhou a aldrabice. Perderam todos os outros. Perderam aqueles que sabendo das suas limitações não se puseram em bicos de pé, preferindo os campeonatos secundários (ou nem isso) à vergonhosa tarefa de fazer um orçamento para poucos meses sabendo que uma época dura um pouco mais. Perdeu uma liga “profissional” que permite o desengano das estrelas do circo. Perderam os nomes que se apresentam por estes clãs, perdeu quem pagou tamanha vergonha, perdeu quem assistiu no seu sofá a este engano e assim não só consentiu como também contribuiu . Perdeu um Secretario de Estado que se intromete numa questão de burocracia desportiva mas aceita que não se pague a quem trabalha. Perderam os autores de uma lei de bases do Desporto que permite que quem não pague não seja sancionado.

Provavelmente isto incomoda muito poucos, mais preocupados (e com razão) com problemas mais graves no seu dia a dia, ou sortudos que alheios ao futebol de massas, que não sofrem a bom sofrer a cada jornada que passa, a cada bola na trave, a cada cartão justo ou injusto, mas que não rejubilam com golos e conquistas dos seus.

E para não me acusarem de não falar da Baixa da Banheira, é no meio de tudo isto que o U.D.C. Banheirense continua à espera do financiamento prometido para as suas instalações desportivas, enquanto um estádio do Euro desce à II Liga, outro desespera por ralis e concertos de verão, já que de futebol nem sombras, ou ainda um outro que apesar de ter uma capacidade 100 vezes superior ao Fórum Cultural José Figueiredo consegue atrair menos espectadores.

Mas hoje é dia de Final de Taça e nada disto importa. A festa está montada e que ganhe o melhor.

E já agora, não deixem para amanhã o que devem pagar hoje.

2007-05-26

Publico aqui uma resposta a este post do Brocas porque não consegui responder correctamente na caixa de comentários

Não chateia nada porque não andamos aqui a concorrer com ninguém. Em todo o caso, O Banheirense discute muito mais a Baixa da Banheira do que a sua busca conseguiu apanhar. Por exemplo, neste post não se escreve Baixa da Banheira mas discute-se a Baixa da Banheira. Discutir a Baixa da Banheira não é sinónimo de escrever Baixa da Banheira.

2007-05-24

Pode ler-se aqui algo muito importante.
O Ministro do quero, posso e mando

Mário lino fala francês, não sabe fazer contas e não conhece Portugal. O problema não está em Mário Lino nem nos outros Ministros mas sim na Política do Governo que não é coerente, não tem critério e funciona como uma almofada para uns e um garrote para outros.
Todos sabemos o ódio que os governos do PS têm tido à Margem Sul. Em termos de PIDDAC esta é a região mais prejudicada nos últimos 8 anos o que para mim é uma clara posição de enfraquecimento desta população. Seja por castigo, por votarem CDU, seja por serem reivindicativos. Mas desegane-se o Ministro, estas gentes sabem o querem, muitos não falam francês mas fazem contas ao que não têm devido às políticas seguidas por este e outros ministros.

No deserto existem camelos.
Ricardo Araújo Pereira, dos Gato Fedorento, falou há tempos nisso, quando alguns criticaram a sua intervenção humorística no referendo do aborto, com pressões à RTP e ameaças ao próprio. O que inquieta mais em Portugal não é a desvergonha do grande poder mas, no essencial, do pequeno poder. Contra o grande poder há eleições, oposição, uma imprensa tendencialmente livre, mil e um procedimentos e garantias e até um Tribunal Constitucional que José Sócrates costuma faustosamente desrespeitar. Contra o pequeno poder não há nada disso. O pequeno poder pode lesar, oprimir, abusar, sacanear e arruinar com absoluta liberdade e normalidade, sem que as vítimas tenham capacidade para se defenderem. O pequeno poder é feito de governadoras civis como a de Lisboa que, exercendo uma competência que ninguém percebe porque é que tem, marcam as eleições autárquicas na data que mais favorece o partido do Governo. O pequeno poder é feito de "directoras" como a da Direcção Regional da Educação do Norte, que decidiu a suspensão preventiva (?) e a abertura de processo disciplinar contra um professor que contou uma pilhéria sobre o curso de José Sócrates. Espantosamente, neste último caso, o grande poder demite-se por inteiro de "corrigir" o pequeno poder. Não só a "directora" permanece em funções e o processo disciplinar está em curso, como a ministra da Educação recusa-se a ir ao Parlamento porque, nas palavras do seu secretário de Estado, Jorge Pedreira, "o ministério não tem de esclarecer rigorosamente nada porque não foi o ministério que introduziu o procedimento". O Sr. Jorge acha, portanto, que não é o Ministério da Educação que dirige, tutela e se tem de responsabilizar pelo que se passa dentro dos seus serviços. O pequeno poder é isto e muito mais. É, por exemplo, o tempo que se espera por documento num serviço público apenas porque falta uma assinatura de quem anda com falta de apetite; é o preço exorbitante que o construtor pode pedir por cada casa que vende porque ao banco convém sempre ter mais uma família empenhada; é aquele gajo que teima deixar o carro em segunda fila quando vai beber o café matinal nem se importando em procurar um lugar que está livre 5 metros à frente; é um tribunal que demora 12 anos a decidir que ainda é necessário uma nova sessão para julgar um tipo sem carta que espatifou o carro dele contra o de outro que vinha do trabalho. O pequeno poder é poder demais...

2007-05-23

O relatório da Amnistia Internacional de 2007 conclui que a violência doméstica matou pelo menos 39 mulheres em Portugal no ano passado
O Miguel nasceu em Portugal. Mora aqui ao lado. Está a ser vítima de intimidação continuada, uma nova moda de crianças nascidas e criadas a partir de lares de bem e casais sem tempo. Mas Miguel não é Madeleine. E quando a televisão está alta, é difícil ouvir os silêncios entre portas.
Comunicado do Secretariado da Comissão Concelhia de Moita do PCP

30 de Maio de 2007, Dia de Luta

A situação política e social em Portugal é caracterizada por um aumento do desemprego, por baixos salários e baixas reformas, por uma diminuição do poder de compra das famílias, por um aumento da precariedade no emprego, pela degradação e entrega aos privados de funções sociais do Estado, fruto das políticas de direita seguidas pelos governos do PS e PSD nos últimos anos.
O governo do PS teima em fazer “ouvidos moucos” e não implementar políticas que resolvam os problemas dos portugueses, o que motivou um protesto de 120 000 trabalhadores nas ruas de Lisboa a 12 de Outubro de 2006. Como o governo não alterou a sua postura a 2 de Março de 2007, 150 000 trabalhadores fizeram novo protesto na capital, exigindo uma mudança de políticas, mas mesmo assim as suas justas pretensões não foram atendidas.

Perante esta situação a CGTP-IN marcou uma Greve Geral para 30 de Maio no sentido de intensificar a luta, para que o ataque aos direitos dos trabalhadores pare e para que o governo não continue a promover o fosso entre ricos e pobres.

A Greve Geral será uma expressão de luta democrática do povo português que farto de perder direitos, poder de compra e dignidade exige um novo rumo, uma nova política que coloque no centro das preocupações as pessoas e o seu bem-estar. A Greve Geral será um “basta” a esta política que promove o enriquecimento dos mais ricos em função do empobrecimento dos mais pobres, que permite que os quatro maiores grupos económicos portugueses tenham 10 000€ de lucro por minuto ao mesmo tempo que a taxa de desemprego é a mais elevada desde há 20 anos.

Assim, apelamos a todos, trabalhadores, estudantes, pequenos e médios empresários, domésticas e reformados que se solidarizem com a Greve Geral e para isso cada um de nós deve assumir o seu papel activo, evitando de fazer compras e de tratar dos nossos assuntos do quotidiano, porque quantos mais lutarem mais será a força da Greve e mais força terão os portugueses, que unidos reivindicam uma mudança de políticas, exigindo que o governo trabalhe para resolver os seus problemas e não para os criar, como tem feito.

Moita, 22 de Maio de 2007

2007-05-19

Passagem de nível na Rua 1º de Maio, que após a construção da passagem desnivelada, será encerrada e permitirá a transformação desta artéria num passeio pedonal.

2007-05-18

O ser que por vezes assina como “Mário da Silva” insiste em vários erros primários.

O Mário da Silva não lê o que escrevo. Prefere vomitar insultos pessoais e não só.

O Mário da Silva não percebe que o problema não está no anonimato, ou na ocultação da “verdadeira” identidade através de um pseudónimo. Os pseudónimos são, por exemplo, profusamente utilizados nas artes sem que daí advenha algum mal ao mundo. Nem a propósito, esta semana a Visão convidou 5 portugueses autores de BD para uma homenagem Hergé, de seu verdadeiro nome Georges Remy, autor de Tintin. Não estando na forma, o problema só pode estar no conteúdo, ou seja, modo como se utiliza essa falsa identidade. Mas deixemos o caso específico do Mário da Silva, não pela pessoa em si, que liberto do medo da sanção pública alivia um seu verdadeiro “eu”, mas porque este comportamento se insere numa certa maneira de estar comum na blogosfera, porventura sinal de um medo colectivo em assumir opiniões.

Mas quando ao abrigo da liberdade que esta capa oferece se insulta, se lançam ou difundem boatos difamatórios, etc, é porque não se está consciente do todo que se insere na palavra liberdade, e mais particularmente, quando este termo é associado ao conceito mais global de “democracia”.

A propósito do “anonimato” e do assumir das nossas posições, já imaginaram o absurdo que seria se os participantes na Conferência Nacional sobre a Política de Solos falassem de cara tapada e voz distorcida?

O direito à greve é um direito individual, embora necessariamente colectivo, e nenhum trabalhador pode ser obrigado a aderir à greve ou impedido de aderir a uma greve por decisão do seu sindicato, porque de facto a adesão a uma greve é um acto individual, livre, uma decisão livre, que não pode ser limitada por uma decisão sindical.
O direito à greve é um direito de todos os trabalhadores, sindicalizados ou não, é um direito individual que é exercido através de uma decisão individual de adesão a uma greve que terá sido previamente decidida e declarada a nível colectivo, mas não há nenhuma delimitação do âmbito dos trabalhadores que podem fazer greve, pelo facto de o pré-aviso ser subscrito, por esta, ou aquela organização sindical.
Um grevista pode ser penalizado no seu salário, se a greve tiver sido correctamente declarada e se ele aderir a essa greve, naturalmente, que é penalizado no seu salário, visto que a greve tem tipicamente o efeito de privar o empregador da prestação de trabalho e de privar o trabalhador do salário. Agora mais nenhuma penalização é concebível do ponto de vista legal.
Prof. António Monteiro Fernandes , especialista em direito do trabalho

2007-05-17


Uma questão de prioridade

Na actualidade noticiosa existe duas noticias completamente distintas entre si à excepção de um factor, a "semelhança" dos valores monetários, a prioridade dos investimentos.
Uma das noticias vem de terras de sua majestade (da deles), onde através da soberba do ainda 1º ministro, se auto intitulam como a maior nação do mundo (e que nós sabemos!!!). Fizeram uma obra de verdadeiros líderes mundiais, um estádio (novo estádio de wembley). Custou cerca de 1,2 mil milhões de euros. Decerto uma obra que afirma o estatuto de Londres à boa maneira romana. Desta forma vão iludindo os britânicos, em relação aquilo que já está a acontecer, a queda do império. Andam de cabeça perdida em relação às guerras contra os “bárbaros” do sul.
A segunda noticia chega de Timor-Leste, onde o recém-eleito Ramos Horta espera, desbloquear e aplicar o dinheiro do tesouro do estado timorense (avaliado em 1,3 mil milhões de dólares provenientes do petróleo e gás natural da região), em tranches de 40 milhões de dólares anuais, pelas 100 mil pessoas mais pobres do estado, construir e distribuir casas de borla para os funcionários públicos, dinheiro para dioceses católicas, água potável, electricidade de baixo custo e em estradas pavimentadas.
Uma das leituras que se pode ter em relação a estas prioridades tão diversas de investimentos e das verbas envolvidas, é termos a consciência que todos temos necessidades básicas, e quando não as temos lutamos para tê-las. Ignorar as necessidades básicas de um povo, é como ignorarmos o bairro de lata da nossa cidade, mais cedo ou mais tarde pagamos a factura. Não é por morarmos num condomínio fechado que vamos ser mais felizes, o mundo é muito mais do que as paredes que nos enclausuram; é uma ilusão pensarmos que por termos um estádio somos melhores do que quem joga no pelado. Nunca assim foi! O Talento tanto aparece num estádio como num pelado.
A História está cheia de exemplos de ascensão e queda de impérios, ou seja, o imperialismo é a cegueira da Humanidade mas ao mesmo tempo o seu catalisador tecnológico. Fabrica-se tecnologia mas para seres autómatos, incapazes de reflectirem, seguem e repetem as palavras de quem os comanda. Veja-se a maneira como certos lideres se dirigem aos seus compatriotas e incutem nestes um espírito nacionalista doentio. Bem sei que a auto estima faz bem ao ego, mas quando se fala em público tem que se ter cuidado com as várias leituras possíveis, pois o mundo pelos média torna-se pequeno. A liberdade de dizer o que se sente nem sempre se restringe à nossa própria. Nem todas as pessoas fazem a leitura que nós queremos que elas façam. Um líder de um outro país, que tenha necessidades económicas, nunca poderá ver por parte desta pessoa uma vontade desinteressada em ajudar. Esta atitude faz com que desenvolva a desconfiança que culmina numa acção de afastamento e defesa, perpetuando um ciclo vicioso.
Numa altura em que tanto se fala na ajuda e no perdão de dividas aos países africanos, (como se estes devessem alguma coisa a quem tanto os explorou), assim como as promessas feitas aos seus cidadãos, seria bom que os lideres repensassem a forma de fazer politica, pois num mundo cada vez mais informado, depressa se apanham os falsos profetas.

A Junta de Freguesia da Baixa da Banheira está há vários meses a promover uma exposição de fotografia itinerante pelas várias colectividades da freguesia. Característica principal desta exposição é esta ser principalmente composta por fotografias, que retratam a Vila e as suas gentes, emprestadas pela população, o que faz com que nunca esteja fechada. É bastante frequente que ao longo 9 dias que permanece em cada local sejam acrescentadas novas fotos, trazidas pelas pessoas que passam, olham, e partilham as suas histórias.


A exposição "Pessoas, Memórias e Lugares" está patente ao público no Fórum Cultural José Figueiredo até ao fim do mês.

2007-05-16

2007-05-15

Greve Geral, Porquê?

O sucesso de uma Greve Geral passa não só por uma elevada adesão de trabalhadores mas também pela consciencialização de toda a sociedade para a justeza da mesma.
A CGTP convocou uma Greve Geral para dia 30 de Maio apresentando 6 razões: perda do poder de compra das famílias, aumento do poder patronal para promover despedimentos, aumento da precariedade no emprego, aumento da imigração, destruição do Sistema Nacional de Saúde e a sua entrega a privados e a degradação dos sectores da Justiça e Educação. A justeza da Greve é sublinhada por duas jornadas de protesto que a antecederam. Em de 12 de Outubro de 2006, 120 000 trabalhadores manifestaram-se em Lisboa para exigir uma mudança de políticas que realmente combatessem estes problemas, o governo pouco ou nada fez e continuou na mesma senda, o que prejudicou ainda mais a qualidade de vida dos portugueses. A 2 de Março de 2007 e porque as suas vozes não foram ouvidas, 150 000 trabalhadores protestaram novamente nas ruas de Lisboa contra os mesmos motivos. O nosso governo, apesar das promessas eleitorais em sentido contrário, fez-se surdo e perante esta posição, a CGTP aprovou uma Greve Geral que mais não é do que a continuação da luta, tornando-a mais forte o que se entende porque os problemas vão sendo agravados pela linha política seguida pelo governo.
Ninguém tenha dúvidas, a Greve Geral é feita para mudar o rumo do país e melhorar as condições de vida dos portugueses e portanto é uma Greve de todos e a favor de todos. A Greve Geral será a expressão de todas as reclamações, exigências e aspirações sociais dos trabalhadores uma resposta às políticas governamentais lesivas dos direitos e interesses dos trabalhadores e à postura de parte do patronato que persiste em resolver os problemas da competitividade das empresas à custa de maior exploração dos trabalhadores. Só com a luta dos trabalhadores se conseguirá que o ataque aos seus direitos e interesses pare.
A necessidade sentida por todos nós de que o Governo deve mudar a sua política económica e social e que algum patronato não pode continuar a apostar na precariedade e na desregulamentação laboral deve ser expressa nesta Greve que assim funcionará como uma expressão democrática do povo português que farto de perder direitos, poder de compra e dignidade exige que as apostas do nosso governo visem o seu bem-estar e o progresso de todos.
As políticas económicas e sociais do governo não podem permitir o empobrecimento dos trabalhadores e a redução dos seus direitos e promover, por esta via o aumento dos lucros dos grandes grupos económicos. No último ano os quatro maiores grupos económicos portugueses, a EDP, SONAE, GALP e PORTUGAL TELECOM tiveram lucros em conjunto de 5 300 000 000€, ou seja 10 000€ por minuto, ao mesmo tempo que muitos trabalhadores perdiam direitos e os seus postos de trabalho.
Por tudo isto dia 30 de Maio é dia de luta por um Portugal mais justo e pela dignificação do trabalho.

Nuno Miguel Fialho Cavaco
Membro da Direcção Regional de Setúbal
do Partido Comunista Português

2007-05-13


Convívio Hip-Hop no Parque Zeca Afonso
um muçulmano entre católicos
Esta semana fui levado pela curiosidade a assistir a uma palestra dada por um respeitado investigador brasileiro na área das energias alternativas. Ao longo da sessão fui, inevitável e tristemente, fazendo algumas comparações com a realidade nacional. O Brasil foi capaz de, ao longo dos últimos anos, e apesar das suas convulsões sociais e politicas, de delinear uma estratégia energética a nível nacional, com uma grande componente de investigação científica, que lhe permite actualmente ter o seu consumo de energias renováveis a rondar os 45% do total do consumo nacional, e com tendência a aumentar. Invejável, não é? No entanto é aparentemente simples: adaptaram as tecnologias já existentes às matérias primas locais e tiveram a força suficiente para obrigar o mercado, diga-se, as grandes multinacionais, a adaptarem-se ás alterações. É assim, por exemplo, que toda a indústria automóvel produz veículos movidos a etanol produzido a partir de cana de açúcar. Vindo isto de um pais produtor de petróleo, é obra.

Olhando para o exemplo português o que se vê é que a nossa maior potencial fonte de energia renovável é a energia solar. Existem alguns grupos portugueses a investigar a energia fotovoltaica há mais de 20 anos. Isoladamente, sem que este assunto tenha sido alvo de uma politica nacional, vimos toda a Europa central investir, e ironia das ironias, a instalar muito mais potência do que nós, apesar de o Portugal ter muito mais horas de sol por ano. Aquela que deveria ser uma aposta governamental, criando uma nova fonte de energia localizada, evitando os custos do transporte de energia a longas distâncias e diminuindo a dependência das tradicionais fontes fósseis (petróleo, gás e carvão) que somos obrigados a importar, e mesmo da energia hidroeléctrica, provavelmente evitando a construção de mais uma ou outra barragem e permitindo manter o leito natural de um ou outro rio, a energia solar foi esquecida. Ainda existiu um fervor há uns anos com os painéis solares para aquecimento de água, mas a fraca qualidade dos poucos instalados cedo fez arrefecer os ânimos.

Só agora, com a subida do preço do petróleo é que se investiu em grande escala em novas fontes renováveis e, para espanto, investiu-se na energia eólica. Portugal ameaça mesmo transforma-se num grande parque eólico apesar das condições naturais serem das menos favoráveis da Europa. Nada disso importa. O que importa realmente é que se trata de uma fonte barata e de grande visibilidade. Pior ainda, constroem-se centrais de queima de biomassa com, ouvi dizer, capacidade muito superior à nossa capacidade de as alimentar.

Mas a fonte solar está-nos inevitavelmente reservada, e nos últimos meses apresentaram-se algumas instalações na peneplanície alentejana com pretensões a serem das maiores no continente. Entretanto, como passar dos anos, a hipótese de incorporar tecnologia nacional neste esforço perdeu-se. Apesar em Portugal ainda existir investigação em energias alternativas, estes projectos agora instalados, ou a instalar brevemente, foram (tal como as centrais eólicas) comprados a empresas estrangeiras que tiveram o apoio dos seus países para as desenvolverem. São projectos “chave na mão” sem transferência de tecnologia e sem grande criação de emprego, e acima de tudo, são uma marca indelével de mais uma oportunidade perdida.

2007-05-12

Já está criada a S.energia - Agência Local para a Gestão de Energia do Barreiro e Moita
Comemorações do 23º Aniversário de Elevação a Vila

13/05/2007
.17h Convívio de Hip-Hop no Parque Zeca Afonso

16/05/2007
.21h30m Sessão Solene do 23º Aniversário da Vila no Salão da Junta de Freguesia
.22h Abertura da Exposição de Fotografia "Memórias da Baixa da Banheira" no Fórum Cultural José Manuel Figueiredo

20/05/2007
.10h Troféu Luís de Matos em Futebol de Veteranos no Campo Municipal

27/05/2007
.10h 6º Encontro de Automóveis Antigos e Clássicos no Parque Zeca Afonso
Parque Zeca Afonso (comporta das antigas salinas)

Sinto falta de uma salina por aí, a mostrar como era dantes. Eu ainda me lembro, mas a continuar assim, o meu filho nunca saberá.

2007-05-10

Infelizmente anda por aí muito descabelado, não só como autor(es) de blog(s) mas também como parasita(s). E depois falam em "decência" e "coiso e tal"...

2007-05-09

Selvagens, a última fronteira

Filipe Araújo é o nome do autor, produtor e realizador do documentário sobre as ilhas selvagens: a última fronteira, que está a rodar por estes dias no festival documental de Madrid.
A ideia do documentário surgiu por consequência de uma reportagem sobre as ilhas que o autor fez para o Expresso. Com a ajuda de outros dois colegas de trabalho que com ele viajaram, achou que poderia ser uma boa oportunidade para fazer outro tipo de abordagem, um documentário. Com a ajuda limitada dos seus meios técnicos e dos colegas, lá fez uma recolha de imagens e sons que lhe valeram 30 minutos de filme, sobre um local onde não se passa nada, aparentemente!
Com esta atitude o Filipe não só nos mostrou uma parte do território, para muitos (quase todos) desconhecida como, demonstrou que para realizar algo é preciso ser empreendedor e não ter medo de falhar, pois mesmo com poucos recursos técnicos não deixou de fazer o que gostava, isso valeu-lhe uma participação no Documenta Madrid onde é o único documentário português em exibição.









A respeito da linguagem utilizada e da livre escrita singular em nome de um colectivo

Face ao comunicado do Secretariado da Comissão Concelhia da Moita do PCP de 7 de Maio de 2007, no blogue um por todos e todos por um, surge um post que dá razão total à opinião do PCP. Vejamos então:

Diz o comunicado no ponto 1:

“Os conteúdos avançados em blogues e email´s pelos organizadores, a forma como é anunciada, fazendo crer tratar-se de um problema nacional mas na prática incidindo sobre o concelho, numa manobra que visa denegrir esta terra, as suas gentes e os seus eleitos autárquicos, merece o desacordo do PCP.”

E no blogue no texto de resposta assinado por res publica e portanto de carácter individual, surge a pergunta:


“Finalmente, seja-nos permitido perguntar:
É isto o PCP?”


Então, será que o texto foi escrito por um colectivo ou é obviamente uma apropriação do grupo por parte de um indivíduo para marcar posições particulares, ainda por cima salvaguardadas pelo nome fictício do postador (res publica).


Ainda relacionando os textos, podemos ler esta pérola:


«Diz o PCP local que a Conferência é uma “…manobra que visa denegrir esta terra, as suas gentes e os seus eleitos autárquicos”. Errado. Falar-se de modo crítico de quem erra não é de modo algum dizer-se mal da terra onde nasceu ou onde mora.
Aliás “denegrir” é um termo racista, que visa associar “mau” com “negro”. É algo como dizer que “um burlão nos negócios age como um judeu”, e que “roubar é uma ciganice”. Ou algo como “lento como um alentejano”, ou do género da errada referência à “trissomia 21 como mongolismo”. São linguagens do passado, impróprias de um Partido como o PCP.»


Por aqui se vê o carácter do “res publica”, que para além de tentar colocar ideias erradas na linha de pensamento do PCP, fruto de uma interpretação maldosa e tendenciosa do comunicado, formula um juízo de valor sobre o Partido Comunista Português que não passa de uma ferida mal curada, que infectou e que gerou febres altas e delirantes.

E a isto eu pergunto e deixo no ar:


Será que os fins justificam os meios?

2007-05-08


A arte em cada "blogoesquina"

http://www.banksy.co.uk/menu.html

concurso para fotografos amadores realizado pela fnac.

Vejam em,

http://www.fnac.pt/pt/Institutional/FnacNT.aspx

Hoje de manhã, ao pedir a sandes mista do pequeno-almoço que não tive tempo de tomar em casa, reparei que o empregado que a preparava usava uma luva rota no polegar de uma das mãos. Não era apenas um pequeno buraco, era todo o polegar que orgulhosamente se ostentava desprotegido. Na outra mão nem isso. Cuidadosamente cortou o pão, colocou as fatias de queijo e fiambre, puxou por um daqueles finos guardanapos de papel dobrados em dois, que devido à dificuldade notória que a luva provocava (!) só à custa de um generoso sopro se desdobrou, e sobre o qual pousou a minha refeição. Passou as mãos por uma toalha húmida, chegou-se à caixa registadora e só teve tempo de perguntar “É mais alguma coisa?”…
Sem tempo para mais, deixo-vos dois artigos recentes do Público:

.Poder de compra dos portugueses registou a maior quebra dos últimos 22 anos em 2006

.Salários dos administradores duplicaram entre 2000 e 2005 para 3,5 milhões de euros

2007-05-06



Na Madeira as eleições regionais ditaram a vitória de Alberto João Jardim. Muitos tentam agora perceber quais os caminhos que Jardim irá seguir. A maioria leu nas entrelinhas (ou nas linhas todas) e afirma que ele vai usar o resultado para tentar fazer recuar o governo na lei das finanças regionais. Será um dos caminhos, outro certamente será o de "engrossar" o discurso contras as instituições da República, uma vez que continuando assim o povo madeirense certamente o irá eternizar.

Sobre os resultados: estes indicam um reforço da eterna maioria absoluta de Jardim; o esvaziar do PS, fruto das políticas de direita e de um discurso de esquerda; a afirmação da CDU como terceira força política na região; a diminuição da expressão do PP e do BE. São resultados pouco animadores para a democracia mas muito animadores para os madeirenses que idolatram este homem (vá se lá saber porquê?). Assim as eleições foram a expressão da vontade popular e ainda que muitos de nós consideremos Jardim uma besta, quem lida com ele no dia a dia não o considera.

Penso que também seria muito positivo realizarem-se eleições regionais no Continente, se calhar as políticas praticadas pelos governos mudavam um pouco.

2007-05-04


Ora aí está mais uma boa maneira de cidadania!

Mais uma excelente ideia para promover a desresponsabilização governamental. Debaixo de uma ideia do tipo "Poder ao povo, o povo é quem mais ordena", vão tentando iludir para fugir às verdadeiras reformas.
Eu, um ignorante em relação às reformas do governo, questiono! Para que servem os recibos dos almoços, dos cafés, da roupa, da fruta, das compras dos hipermercados, dos tickets de transporte, etc, etc.
Não seria mais simplex, se suprimissem o recibo e tornassem tudo em factura?
Em muitos dos recibos já vem a discriminação dos produtos comprados. Porque não adicionar o que falta, para tornar este recibo numa factura? De certeza geraria lucro! Haveria menos gasto de papel e o estado não delegaria a má disposição dos comerciantes para cima de quem lhes pede factura. Sei que haverá muita explicação técnica, bem fundamentada e confirmada de muitos, mas penso que, enquanto não aparecer esta ideia na Finlândia ou outro país "iluminado", aqui não se fará luz.

2007-05-03

"Arbeitmacht frei".
A nova versão PPortas.
Não vi o debate francês Ségo - Sarko, mas pelo que tenho lido, é claro que a opção dos franceses se fará exclusivamente à direita, até porque disputam os votos de Bayrou. Com Segolene o socilismo europeu está enterrado, e com Sarko o discurso e a prática (lembram-se dos "Jeunes des Banlieues"?) chega-se perigosamente da Frente Nacional, de extrema direita (o que não deixa de ser absurdo, vindo de um filho de emigrantes).

Este cenário, de viragem à direita da sociedade francesa, não está isolado do resto da europa, como se pode constatar pelo que se vai passando pelo continente, da paranóia governativa portuguesa, à Polónia dos gémeos Kaczynski. Aproximam-se tempo difíceis para os europeus.
Ao excelente artigo de Batista Bastos no DN acrescento as palavras de Le Pen: "nós ganhámos a batalha das ideias - a nação e o patriotismo, a imigração e a insegurança foram postas no centro da campanha por adversários que ainda ontem repudiavam estas noções com um ar enjoado", porque como dizia o outro, isto anda tudo ligado.