2007-03-22

Diz que é uma espécie de OTArios!

Com o fim anunciado dos subsídios de Bruxelas em 2013 e com a entrada de novos países, o governo português sente a pressão de fazer o que ainda não foi feito.
Perceber o que realmente faz falta no país para que este se desenvolva é decerto um grande desafio para aqueles que se designam como “representantes do povo”.
Mais do que ter o subsídio é ter a consciência dos erros cometidos com os subsídios anteriores. Esta deveria ser a prioridade. O erro primordial dos subsídios anteriores foi e é a mesma que mina a nossa democracia, a Impunidade. Esta é que fez com que desde, comissões de estudos e custo geral dos projectos; responsáveis de recrutamento de empresas (sem concursos); falta de fiscalização continua; maus contractos e contractos de obras incumpridos, mas sempre lucrativos para os infractores da obra (sempre com prejuízo para o estado); Quebra das regras de segurança e dos direitos dos trabalhadores, enfim, um colapso dos valores digno de um país do terceiro mundo.
Se reavivarmos a memoria (e nisto a Internet ajuda e muito), no final do ano 1998 o Tribunal de Contas divulgou a auditoria que realizou às contas da Expo98, entre as muitas chamadas de atenção, referiu que o diferencial entre as receitas obtidas e despesas totais do projecto tinha atingido o valor negativo de 238.2 milhões de contos. Valor esse, que seria reduzido através do imobiliário para 96.6 milhões de contos até 2010. A mesma auditoria referiu no ponto
6.32 que
“Em suma pode considerar-se que se a gestão desenvolvida para execução do Projecto
global a EXPO’98 se pautou, em geral, por critérios de eficácia, já os critérios da eficiência, da economia e da transparência não foram devidamente acautelados, tendo sido abandonados ou postergados em múltiplas situações. Quer isto dizer que, se há que reconhecer que o projecto EXPO conseguiu alcançar tempestivamente os objectivos fixados, já não se pode concluir que o sucesso na realização dos objectivos tenha sido obtido escolhendo sempre os melhores meios e ao melhor custo e/ou obtendo dos meios escolhidos o máximo rendimento. Igualmente, não foi sistematicamente acautelada a transparência e a eliminação dos riscos objectivos de conflitos de interesses na gestão dos dinheiros públicos confiados ao projecto EXPO.”.

É certo que a ParqueExpo tem divulgado nos seus relatório de contas uma diminuição desse passivo, mas isso não justifica a falta de controlo que se teve neste projecto, porque além de poder já estar a lucrar, perdem-se também outras obras prioritárias.
Outro caso que revela bem, que a quem governa só a obra interessa em desprezo dos dinheiros públicos, foi o Euro2004. Mais uma vez apostaram na velha táctica do “organizadamente desorganizados” para deixar Obra. A saber, o total dos custos tiveram um desvio médio em todos os estádios 230%, menos o de Braga (360%) e do Algarve (154%). Deixou os orçamentos das autarquias empenhados, atingindo de 37% até 89% do valor orçamental destas. Actualmente alguns dos estádios praticamente não têm espectadores. 1000 milhões de euros foi o custo total do euro2004. Se tivessem aprendido com a Expo98, talvez neste caso não teriam um “desvio” tão alto.
Agora vêm aí mais umas grandes Obras!
O valor do TGV inicialmente apresentado em 2003 era de 5,3 mil milhões de euros, em 2005 era de 7,1 mil milhões de euros, e agora?
Qual o valor da OTA?
Penso que em ambos os casos o governo vai aplicar a mesma máxima que aprendeu com a Expo98 e com o Euro2004:
Manda vir que alguém há-de pagar.

ver:

http://www.tcontas.pt/pt/actos/rel_auditoria/2000/43-2000v1.PDF

http://www.mundopt.com/n-tgv-vai-custar-o-dobro-da-ota-8177.html

http://dn.sapo.pt/2005/12/21/desporto/auditoria_critica_excessos_euro.html

1 comentário:

Anónimo disse...

É certo que a ParqueExpo tem divulgado nos seus relatório de contas uma diminuição desse passivo - LN

Claro que, como de costume, recorrendo à mais liminar especulação imobiliária; já que a construção quadruplicou tornando o que seria uma zona especial e excepcional como exemplo de como se pode fazer boa urbanização numa qualquer Loures, Odivelas ou Cacém.

Não basta a marina e outras coisinhas que sobraram do projecto inicial para que o espaço seja o que estava pensado.

E nisto, também como habitual, temos a subtil transigência do poder autárquico.

E ainda tiveram a "lata" de se auto-darem chorudos prémios pela "excelente" gestão e pelos resultados alcançados.

Haja pachorra!

Até mais.