2007-01-16





Ainda os grandes portugueses
No correio da manhã de hoje, pode ler-se que segundo a opinião de Pedro Dias, professor da Universidade de Coimbra e ex-director da Torre do Tombo, que Álvaro Cunhal não devia constar na lista dos grandes portugueses. Este senhor vai mais longe e afirma o seguinte:
“Ainda se fosse na dos grandes soviéticos”;
“Ele era um agente estrangeiro ao serviço de uma potência estrangeira para transformar Portugal numa colónia.”;
“o PCP mantém ainda um número de filiados com grande militância”;
“Não concordo minimamente com a escolha de Álvaro Cunhal”;
Por último, lamenta que o Padre António Viera tenha ficado tão mal colocado.
Já José Vicente Serrão, director do departamento de História do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e Empresas acha que numa lista de 10 grandes portugueses Álvaro Cunhal era dispensável e trocava-o por Mário Soares.
Para Villaverde Cabral, do Instituto de Ciências Sociais, é muito interessante que os únicos heróis do século XX, além de Pessoa, sejam Salazar e Cunhal, ou seja, o bem e o mal, nesta ordem ou na inversa, de acordo com as tendências.
Na minha opinião, que é tão ou mais fundamentada do que a destes iluminados, Pedro Dias consegue saber numa votação secreta que a maioria dos votantes em Álvaro Cunhal são do partido comunista e seguem a militância, nem sequer coloca a hipótese de haver muitas pessoas, que não sendo do PCP admiram Álvaro Cunhal e por isso se percebe a sua não concordância com Álvaro Cunhal. Eu também não concordo que ele tivesse sido escolhido para professor da Universidade de Coimbra e ...
José Vicente Serrão, homem da História ou Estórias, depende do gosto, trocava Álvaro Cunhal por Mário Soares e fazia a troca depois da votação, ou seja a votação tinha o resultado que o Sr. Professor queria. Democrático e ilustrativo do seu percurso enquanto homem das estórias.
Já Villaverde Cabral parte do estudo sociológico para chegar à brilhante conclusão que para uns Salazar simboliza o bem e que para outros Álvaro Cunhal simboliza o mal e portanto são duas faces da mesma moeda. Conseguiu isto apenas olhando para a lista dos 10 mais votados.
O que eu não percebo é a tentativa de manchar o nome de Álvaro Cunhal. Cunhal até podia ter ficado em 100º que isso não apagaria o que fez por Portugal e pelos portugueses. Isto é apenas um jogo, mas um jogo cujo o resultado até agora deixou a boca amarga de uns quantos.

7 comentários:

Anónimo disse...

Falar bem ou mal não interessa, o que é importante é falar.

nunocavaco disse...

O que me irrita profundamente é ouvir jovens como eu, que não conheceram como eu o regime, mas que os país sofreram e muito na pele as consequências desse regime, defenderem o salazar e condenarem o álvaro cunhal. Parece-me que o objectivo dos fascistas está a ser conseguido mas também me parece que existem muitas pessoas com vontade de contrariar.

Anónimo disse...

Aristides de Sousa Mendes vale 10 salazares e 10 cunhais.
Salvou milhares de vidas com o risco da sua, sem pedir nada em troca.Aprende isso, jovenzinho ignorante.

Anónimo disse...

1938- Salazar nomeia Aristides de Sousa Mendes Cônsul de Portugal em Bordéus.
1940- Contrariando as ordens de Salazar, Aristides de Sousa Mendes, no Consulado de Portugal em Bordéus, passa mais de 30.000 vistos a judeus e outras minorias perseguidas pelos nazis. Salazar condena Sousa Mendes a um ano de inactividade e depois aposenta-o sem qualquer vencimento. in: vidaslusofonas.pt

Aristides de Sousa Mendes colaborou com Salazar na opressão dos portugueses, contrariou as suas ordem e salvou 30000 pessoas, mas colaborou com Salazar na opressão do povo português.

Anónimo disse...

Em 1940, Cunhal é escoltado pela polícia à Faculdade de Direito, onde apresenta a sua tese de doutoramento, sobre a temática do aborto e a sua despenalização. Apesar do ambiente pouco propício, a sua tese foi classificada com 19 valores (de um máximo de 20 valores).

Mário da Silva disse...

Coitadinhos dos Melos.
Já nem no nosso concelho têm nada.

Vocês deviam era estar precupados com outros, como o sr. Amorim, mas desse nunca oiço falar mal. Porque será?

Talvez se vislumbrem algumas explicações aqui, aqui e aqui.

São só uns artigos mas a mim faz-me muitissíma espécie que, enquanto se nacionalizavam umas coisas, se faziam falir outras com greves sem fim, se espoliavam outros à conta da célebre reforma agrária, e o facto de todos os corticeiros da margem sul terem falido; ao sr Américo Amorim, que comprou vastas propriedades corticeiras no Alentejo nos "anos quentes" ao preço da chuva, nada lhe tenha acontecido. Amizades, seguramente.

Olhem, já agora, pensem nisto.

Até mais.

Anónimo disse...

Não tem sentido, é absurdo, é masturbação, é mesmo doentio.
Cunhal, nada fez para conquistar outra vida, não sustentou as miragens do paraíso. Cunhal é cinza onde ninguém ofertará flores, sobrando apenas o forte exemplo de quem lutou pela construção do céu na terra.

Não incluam tal exemplo nesses jogos de merda.